Arquivo da categoria ‘CAPITALISMO’

28.02.2020
Do blog JORNAL GGN

Ministro das Relações Exteriores de Bolsonaro defende que o nazismo e o fascismo eram movimentos da esquerda política. Erro é confrontado por falas de Hitler

Jornal GGN – O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, protagonizou uma polêmica neste final de semana que repercutiu amplamente nas redes sociais, após defender que o nazismo e o fascismo eram movimentos da esquerda política. Além da crítica em massa de historiadores contra a declaração do ministro de Bolsonaro, também nas redes sociais trechos de falas do próprio nazista Adolf Hitler desmentem a defesa de Araújo.

Durante uma entrevista, o Itamaraty repetiu a sua defesa de que regimes totalitários como o fascismo e o nazismo eram “fenômenos de esquerda”. “É uma coisa que eu falo muito e é muito uma tendência da esquerda. Ela pega uma coisa boa, sequestra e perverte, transforma em uma coisa ruim. Acho que é mais ou menos o que aconteceu sempre com esses regimes totalitários”, havia introduzido.

“Por isso que eu digo também que… quer dizer, isso tem a ver com o que eu digo, que fascismo e nazismo são fenômenos de esquerda, não é?”, continuou na declaração polêmica.

A posição equivocada de Ernesto Araújo já havia sido manifestada em ocasiões anteriores, como em um artigo publicado em 2017, dizendo que na década de 1920, “o socialismo se dividiu em duas correntes, uma que permaneceu antinacionalista; e outra que, para chegar ao poder, na Itália e na Alemanha, sequestrou o nacionalismo, deturpou e escravizou o sentimento nacional genuíno para seus fins malévolos, gerando o fascismo e o nazismo”.

E na manhã do último sábado (30), ele voltou a publicar a manifestação em seu blog pessoal, compartilhando o texto “Pela aliança liberal-conservadora”, no “Metapolitica 17”, defendendo de novo que o nazismo e o fascismo eram movimentos da esquerda, e não da direita política.

“A esquerda fica apavorada cada vez que ressurge o debate sobre a possibilidade de classificar o nazismo como movimento de esquerda. Dá a impressão de que existe aí um perigoso segredo de família, cuidadosamente guardado”, disse o chanceler.

Além de historiadores e pesquisadores do Brasil e de todo o mundo criticarem o chanceler brasileiro pelo erro, um vídeo foi compartilhado nas redes sociais em que mostra declarações do próprio nazista Hitler dizendo ser contra o marxismo e que o Partido Nazista tinha esse objetivo de acabar com a esquerda.

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Fonte:https://jornalggn.com.br/historia/hitler-a-perseguicao-aos-marxistas-e-o-erro-de-ernesto-araujo/

09.08.2019
Do portal OPEN DEMOCRACY(espanhol)*, 08.08.19
Por José Luís Fiori/William Nozaki

A única coisa que incomoda os protagonistas desse escândalo é o fato de que sua “conspiração” foi divulgada e que todos entenderam quem é o verdadeiro poder por trás da chamada “República de Curitiba”.

Donald Trump participa de uma coletiva de imprensa conjunta com Jair Bolsonaro no Rose Garden da Casa Branca em Washington D.C., Estados Unidos, em 19 de março de 2019. Agência de Notícias Ting Shen / Xinhua / PA Images. Todos os direitos reservados

É comum falar de “teoria da conspiração” toda vez que alguém revela ou denuncia práticas políticas ou articulações “irregulares”, ocultas do público em geral e conhecidas apenas por pessoas de dentro ou por pessoas com mais conhecimento. E quase sempre, quando essa expressão é usada, tem o propósito de desqualificar a queixa que foi feita, ou a pessoa que tornou público o que estava destinado a esconder na sombra ou no esquecimento da história.

Mas, de fato, mais rigorosamente, não existe uma “teoria da conspiração”. O que existem são “teorias do poder” e “conspiração” é apenas uma das práticas mais comuns e necessárias dos envolvidos na luta política. diariamente pelo poder em si e essa distinção conceitual é muito importante para quem pretende analisar a situação política nacional ou internacional, sem medo de ser acusada de “conspiração”.

E este é um ponto de partida fundamental para a pesquisa que pretendemos fazer sobre qual foi o verdadeiro papel do governo dos Estados Unidos no Golpe de Estado 2015/2016 e na eleição do Capitão Bolsonaro “, em 2018. Neste caso , não há como não seguir o caminho da chamada “conspiração”, que culminou na ruptura institucional e na mudança do governo brasileiro.

E nossa hipótese preliminar é que a história dessa conspiração começou na primeira década do século 21, durante o “mandarinato” do vice-presidente dos Estados Unidos Dick Cheney, embora tenha tomado outra direção e velocidade desde a presidência de Donald Trump e a formulação de sua nova “estratégia de segurança nacional”, em dezembro de 2017.

A princípio foi uma surpresa, mas hoje todos já entenderam que essa nova estratégia abandonou os antigos parâmetros ideológicos e morais da política externa dos Estados Unidos, defendendo a democracia, os direitos humanos e o desenvolvimento econômico, e assumiu explicitamente um projeto para construir um império militar global, com a fragmentação e multiplicação de conflitos, e o uso de várias formas de intervenção externa, em países que se tornam alvos americanos.

Seja através da manipulação inconsciente dos eleitores e da vontade política dessas sociedades; quer através de novas formas “constitucionais” de golpe de Estado; seja através de sanções econômicas cada vez mais extensas e letais capazes de paralisar e destruir a economia nacional dos países afetados; ou, finalmente, através das chamadas “guerras híbridas” destinadas a destruir a vontade política do adversário, usando informação em vez de força, sancionando mais do que bombardear e desmoralizar intelectualmente do que torturar.

Deste ponto de vista, é interessante acompanhar a evolução destas propostas nos documentos dos Estados Unidos em que se definem os objetivos estratégicos do país e suas principais formas de ação.

Assim, por exemplo, no Manual de Treinamento das Forças Especiais dos EUA,  preparado para as Guerras Não Convencionais, publicado pelo Pentágono em 2010, já está explicitamente declarado que “o objetivo dos EUA neste tipo de guerra é explorar as vulnerabilidades políticas, militares, econômicas e psicológicas dos poderes hostis, desenvolvendo e apoiando as forças internas de resistência para alcançar os objetivos estratégicos dos Estados Unidos “.

Com o reconhecimento de que “num futuro não muito distante, as forças dos EUA participarão predominantemente em operações de guerra irregulares”

Quando, na história recente, o Brasil entrou no radar desses novos padrões de segurança e defesa dos EUA

Essa orientação ficou ainda mais clara no documento que primeiro definiu a nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA da administração Trump, em dezembro de 2017. Lá você pode ler com todas as letras que no “golpe à corrupção” a desestabilização dos governos de países que são “concorrentes” ou “inimigos” deve ter um lugar central dos Estados Unidos.

Essa proposta foi detalhada no novo documento sobre a Estratégia Nacional de Defesa dos Estados Unidos, publicado em 2018, que afirma que “uma nova modalidade de conflito desarmado tem tido uma presença cada vez mais intensa no cenário internacional com o uso de práticas econômicas predatórias, rebeliões sociais, ataques cibernéticos, notícias falsas e métodos de  anticorrupção ”.

É importante ressaltar que nenhum desses documentos deixa a menor dúvida de que todas essas novas formas de “guerra não convencional” deveriam ser usadas – principalmente – contra estados e empresas que desafiam ou ameaçam os objetivos estratégicos dos EUA.

Agora, neste ponto de nossa investigação, vale a pena fazer a pergunta fundamental: quando foi, na história recente, que o Brasil entrou no radar desses novos padrões de segurança e defesa dos EUA? E aqui não há dúvida de que há muitos fatos e decisões que o Brasil fez, especialmente depois de 2003, como a política externa soberana, a liderança autônoma do processo de integração sul-americana, ou mesmo sua participação no bloco econômico dos BRICS, liderado pela China.

Mas não há dúvida de que a descoberta das reservas de petróleo do pré-sal, em 2006, foi o ponto de virada em que o Brasil mudou sua posição na agenda geopolítica dos Estados Unidos. Apenas leia o Blueprint for a Secure Energy Future (Plano para um Futuro Seguro de Energia), publicado em 2011 pelo governo Barack Obama, para ver que na época o Brasil já ocupava uma posição de destaque em três das sete prioridades estratégicas da política energética dos EUA: ( i) como fonte de experiência para a produção de biocombustíveis; (ii) como um parceiro chave para exploração e produção de petróleo em águas profundas; (iii) como um território estratégico para a prospecção no Atlântico Sul.

A partir desse momento, não é difícil rastrear e conectar alguns eventos, especialmente desde que o governo brasileiro promulgou, em 2003, sua nova política de proteger os produtores nacionais de equipamentos de ex-fornecedores estrangeiros da Petrobras, como era o caso, por exemplo, da empresa norte-americana Halliburton, a maior empresa de serviços petrolíferos do mundo, e um dos principais fornecedores internacionais de sondas e plataformas marinhas, administrada até o ano 2000 pelo próprio Dick Cheney, que Ele se tornaria o mais poderoso vice-presidente da história dos Estados Unidos de 2001 a 2009.

A Odebrecht, a OAS e outras grandes empresas brasileiras entram nessa história desde 2003, exatamente no lugar desses importantes fornecedores internacionais que perderam espaço no mercado brasileiro.

Mas nunca houve dúvida de que, em 2006, você tem reservas de petróleo no pré-sal em 2006, o que é um ponto de virada no Brasil, ou o Brasil mudou sua posição na agenda geopolítica dos Estados Unidos. Acabei de ler o Plano para um Futuro Seguro Energético, publicado em 2011 pelo governo Barack Obama, para ver que na época  o Brasil ocupa uma posição de destaque em três prioridades estratégicas dos EUA na política energética: (i) como fonte de experiência para uma produção de bicombustíveis; (ii) como um parceiro chave para exploração e produção de petróleo em águas profundas; (iii) como território estratégico para uma prospecção fora do Atlântico Sul.

A partir desse momento, não é difícil rastrear e conectar quaisquer eventos, especialmente desde que o governo do Brasil promulgou, em 2003, sua nova política de proteger produtores nacionais de equipamentos de antigos fornecedores estrangeiros da Petrobras, como era ou caso, por exemplo, a norte-americana Halliburton, uma grande empresa de serviços petrolíferos do mundo, e um dos principais fornecedores internacionais de sondas e plataformas de marinhas, administrados por Dick Cheney, de 2000 anos, que ele se tornaria ou mais poderoso vice-presidente história dos Estados Unidos de 2001 a 2009.

Para a Odebrecht, OAS e outras grandes empresas brasileiras desde 2003, não há lugar para importantes fornecedores internacionais que perderão espaço no mercado brasileiro.

Agora, retornando ao eixo central de nossa investigação e nosso argumento, é bom lembrar que esse mesmo Dick Cheney, que veio do mundo do petróleo e desempenhou um papel decisivo como Vice-Presidente de George W. Bush, foi quem concebeu e iniciou o processo. chamado de “guerra ao terrorismo”, com o consentimento do Congresso dos EUA para iniciar novas guerras, mesmo sem aprovação parlamentar; e, o que é mais importante para os nossos propósitos, foi capaz de aprovar o direito de acesso a todas as operações financeiras do sistema bancário mundial, praticamente sem restrições, incluindo o antigo segredo bancário suíço e o sistema de pagamentos europeu SWIFT.

A presidência da República, os ministros de Estado e os líderes da Petrobras foram há muito tempo objeto de escuta telefônica e espionagem.

Portanto, não é absurdo pensar que foi nesse caminho que o Departamento de Justiça dos EUA teve acesso à informação financeira que foi então transmitida às autoridades locais dos países que os Estados Unidos decidiram desestabilizar com campanhas seletivas “contra a corrupção”.

No caso brasileiro, pelo menos, foi após esses eventos que a agressão e o roubo de informações geológicas confidenciais e estratégicas da Petrobras ocorreram em 2008, exatamente dois anos após a descoberta das reservas de petróleo do pré-sal no mesmo período, ano em que os Estados Unidos reativaram sua 4ª Frota Naval de Monitoramento do Atlântico Sul.

E foi no ano seguinte, em 2009, que o intercâmbio entre o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e os membros do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal brasileira começou a tratar da lavagem de dinheiro e “lutar contra corrupção ”, em reunião que resultou na iniciativa de cooperação denominada Projeto Ponte, da qual participou o então juiz Sérgio Moro.

Mais tarde, em 2010, a Chevron negociou discretamente, com um dos candidatos para a eleição presidencial brasileira, mudanças no arcabouço regulatório do pré-sal, uma “conspiração” que veio à tona com vazamentos do Wikileaks, que eventualmente se tornou um projeto de lei apresentado e aprovado pelo Senado brasileiro. E três anos depois, em 2013, ficou claro que a presidência da República, os ministros de Estado e os líderes da Petrobras estavam há muito tempo sujeitos à escuta telefônica e à espionagem, como revelaram as acusações de Edward Snowden.

No mesmo ano, o embaixador dos Estados Unidos que acompanhou o golpe de Estado do Paraguai contra o presidente Fernando Lugo foi transferido para a embaixada do Brasil. E foi exatamente após essa mudança diplomática, em 2014, que começou a Operação Lava Jato, que foi instigada a decisão de investigar as recompensas pagas aos diretores da Petrobras, exatamente a partir de 2003, deixando de lado os antigos fornecedores internacionais. no exato momento em que a empresa estava concluindo as negociações com a Halliburton sobre a entrega das plataformas P43 e P48.

Se todos esses dados estivessem corretamente conectados, e se nossa hipótese for crível, não é de surpreender que, após cinco anos do início desta Operação Lava-Jato, os vazamentos publicados pelo site The Intercept Brasil, relatem o viés dos promotores e do principal juiz envolvido nesta operação e causaram uma reação súbita e extemporânea a dois dos principais réus desta história que praticamente se esconderam, praticamente nos Estados Unidos.

Provavelmente em busca de instruções e informações que lhes permitissem sair do caminho e fazer com seus novos acusadores o que sempre fizeram no passado, usando as informações transmitidas para destruir seus oponentes políticos.

No entanto, o pânico do ex-juiz e sua falta de preparação para lidar com a nova situação fizeram com que ele agisse de maneira apressada, solicitando uma licença ministerial e viajando pela segunda vez para os Estados Unidos, tornando este local público na cadeia de comando de uma operação que parece ter sido a única operação de intervenção internacional bem-sucedida, até agora, pela dupla John Bolton e Mike Pompeo, os dois “terroristas suicidas” que comandam a política externa do governo de Donald Trump. Uma operação comandada pelos americanos e endossada pelos militares brasileiros.

A única coisa que os incomoda agora é o fato de que sua “conspiração” foi tornada pública

Portanto, se nossas hipóteses estivessem corretas, não há possibilidade de que as pessoas envolvidas neste escândalo sejam denunciadas e julgadas imparcialmente, porque todos os envolvidos sempre tiveram conhecimento total e aprovaram as práticas ilegais do ex-juiz e seu “promotor auxiliar”, práticas que foram decisivas para a instalação do Capitão Bolsonaro na Presidência da República.

A única coisa que os incomoda neste momento é o fato de que sua “conspiração” foi divulgada e que todos entenderam quem é o verdadeiro poder por trás da chamada “República de Curitiba”.

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NOTA: A matéria acima foi traduzida pelo Google Tradutor.

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Fonte:https://www.opendemocracy.net/es/democraciaabierta-es/conspiraci%C3%B3n-y-corrupci%C3%B3n-una-hip%C3%B3tesis-probable/

08.07.2019
Do portal JORNAL GGN, 07.07.19
Por Luis Nassif

Não há tergiversação possível: ou se é a favor da lei e das instituições, ou se é apenas um vociferante membro da torcida, da plebe ignara e inculta que ameaça invadir os palácios.

As novas revelações da Vazajato, pela Folha, reforçam os pontos centrais dos outros vazamentos (aqui):

1.     O não cumprimento dos acordos de delação.

O acordo de delação exige a mútua confiança de ambas as partes. O réu delata se houver o compromisso do procurador em cumprir o combinado. A legislação é clara sobre os termos do acordo.

Um trecho do acordo mostra que a Lava Jato não seguia nenhum princípio legal nem ético.  Tratava com bandidos e não obedecia sequer a ética dos bandidos, que é o cumprimento do combinado.

2.     O uso do vazamento como instrumento político.


Esse trecho é fantástico. Tema da maior gravidade – a crise política e humanitária da Venezuela -, na qual países mais responsáveis procuram fazer a mediação, potências globais interferem, a alta diplomacia internacional se digladia. E um procurador regional do Paraná, deslumbrado, messiânico, provinciano, imaturo a ponto de ser completamente controlado pelo juiz, tendo nas mãos um inquérito policial, decide o que é bom ou ruim para os cidadãos venezuelanos.

É a subversão total de toda ordem institucional e das atribuições dos poderes.

3.     Comando total de Sérgio Moro, exercido através de Dallagnol.

Depois das discussões, Dallagnol vai até Moro pedir a bênção. E volta com luz verde, comprovando mais uma vez quem chefiava o esquema.

4.     Cooperação informal ilegal com autoridades de outros países.

Fica claro na combinação dos procuradores, sobre como atual com a ex-Procuradora Geral da Venezuela, demitida por Maduro. Acolhem a procuradora, combinam compartilhar delações, atuações políticas. E ainda entregam o vazador mor do grupo, um tal de CF, que a Folha presume ser Carlos Fernando.

Leia também:  Moro aparelha Polícia Federal para retaliar Glenn Greenwald, dizem deputados

5. Vazamentos praticadas pelas três instâncias do MPF

Nesse trecho, planeja-se abertamente o vazamento. E mencionam-se fontes internas que poderiam estar por trás dos últimos vazamentos, tratando como se fosse algo natural. Não afirmam que a Cooperação Internacional da PGR vazou, mas apontam com naturalidade essa possibilidade.

Conclusão

Não há um advogado, juiz ou procurador sério que aceite endossar essas ilegalidades. Apenas um ou outro jurista ou Ministro, que abdicou do direito em favor do proselitismo político, ou que já entrou até o meio do pântano da Lava Jato, sem possibilidade de retorno, esboça alguma defesa desses absurdos.

Nesse momento, o silêncio é aval para a desmoralização final do Supremo, do Ministério Público, do Judiciário em geral. Não há tergiversação possível: ou se é a favor da lei e das instituições, ou se é apenas um vociferante membro da torcida, da plebe ignara e inculta que ameaça invadir os palácios.

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Fonte:https://jornalggn.com.br/noticia/xadrez-de-como-a-lava-jato-nao-seguia-sequer-a-etica-dos-bandidos-por-luis-nassif/

30.05.2019
Do portal INFOESCOLA
Por Morôni Azevedo de Vasconcellos*

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A grilagem de terras é um fenômeno comum no interior do Brasil, especialmente nas regiões  Norte e Centro-Oeste. O grileiro é um proprietário privado que se apossa das terras devolutas (terras públicas sem destinação) e/ou de terras de terceiros. Esta apropriação envolve a criação de documentos falsos, de onde provém o termo grilagem, já que os documentos eram engavetados com grilos para dar uma aparência de antigos (portanto, mais verossímil) pelo amarelado que os detritos do animal deixam no papel e pelos desgastes que os animais provocam no mesmo.

A grilagem de terras geralmente está associada com outros crimes, o uso de jagunços e pistoleiros para expulsar os antigos proprietários e/ou se proteger de possíveis invasores é bastante comum, igualmente é comum o uso das terras para extrativismo ilegal e práticas criminosas.

Existe também a grilagem em áreas urbanas, muito demonstrada nos casos em que construções do programa social “Minha Casa, Minha Vida” foram tomados por agentes do crime organizado 1. Ainda assim, os casos mais emblemáticos ocorrem no campo.

Note-se que a grilagem nem sempre envolve apenas criminosos convencionais, em muitos casos os grileiros contam com a conveniência e até o apoio de pessoas influentes, autoridades e outros. Isso não é apenas um fenômeno de hoje, um dos mais famosos grileiros foi Geraldo Bila que contou com apoio do governo militar por ter auxiliado no combate contra a guerrilha do Araguaia.

Catingas e Guaxebas

Existem algumas milícias no meio rural que invadem terras, inclusive de grileiros e repartem entre famílias pobres que estão dispostas a pagar uma mensalidade pelo uso daquela terra. Esses milicianos são chamados Catingas, muitas vezes se passando por membros das organizações de trabalhadores sem-terra.

Muitas vezes os catingas entram em confronto direto com os guaxebas, que são pistoleiros a serviço dos grileiros. Os guaxebas expulsam tanto os catingas quanto sem-terras e ainda impõe a lei do grileiro no local com base na força. Muitas vezes os guaxebas são criminosos foragidos que passam a trabalhar inclusive expulsando pessoas de suas terras para que os grileiros tomem posse da mesma.

Muitas vezes, após conseguirem a regularização das terras, os catingas e seus mandantes compram as terras dos mensalistas por um preço superior ao que eles gastaram com as mensalidades, porém por um preço bem inferior ao preço de mercado 2.

A questão legal

Em julho/2017 foi publicada a Medida Provisória nº 759, sancionada pelo presidente Michel Temer, que flexibiliza o processo de regularização de propriedades rurais, sendo esta medida provisória apelidada de de “MP da Grilagem”, considerando que muitos especialistas e entidades ambientais apontam para o risco desta medida provisória não apenas impedir a punição dos grileiros atuais, mas também incentivar novas grilagens e, consequentemente, todos os crimes com ela associados. 3, 4

Quadro atual

Os grileiros hoje são uma das maiores ameaças aos pequenos produtores, trabalhadores sem-terra e indígenas. Os conflitos envolvendo grileiros são os principais responsáveis pelo atual cenário de tensão no campo e responde pelos mais bárbaros conflitos que já foram registrados em nosso conflito.

Referências:

[1] http://odia.ig.com.br/noticia/opiniao/2014-11-23/editorial-grilagem-urbana-tem-que-ser-evitada.html

[2] http://infograficos.estadao.com.br/politica/terra-bruta/catingas-e-guaxebas

[3] http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/07/temer-sanciona-mp-que-regulariza-ocupacao-de-terras-da-uniao.html

[4] https://istoe.com.br/temer-sanciona-mp-que-flexibiliza-a-regularizacao-fundiaria/

[5] https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2017/05/03/luta-de-meio-seculo-contra-grilagem-explica-violencia-na-disputa-por-terras-no-ma.htm

Arquivado em: Geografia

*Morôni Azevedo de Vasconcellos.Especialista em Geografia do Brasil (Faculdades Integradas de Jacarepaguá, RJ)

Mestre em Educação (Estácio de Sá, 2016)
Graduado em Geografia (Simonsen, 2010)

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Fonte:https://www.infoescola.com/geografia/grilagem-de-terras/

03.04.2016
Por Irineu Messias atualizada em 04.04.16, ás 18.51

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31 de março,Recife. Juntos com os movimentos sociais, estudantes, artistas e intelectuais, gritamos bem alto em defesa da Democracia: “Não Vai Ter Golpe”!  Fora Globo Golpista”!

A intensa movimentação dos partidos de oposição na luta pelo impeachment da presidenta Dilma, revelou-se como uma real, perigosa tentativa de aplicar  um Golpe de Estado na nossa jovem democracia.

Os partidos golpistas (PSDB,PMDB DEM, PPS, SD), em conluio com a grande mídia brasileira, capitaneada pela Rede Globo, tentaM enganar a população, dizendo ser correto os motivos para cassar o mandato da presidenta Dilma, por meio do impeachment.Alegam que este procedimento está previsto na Constituição Federal, o que em parte é verdade. Em parte. No entanto, a mesma Constituição prevê também(e isto os golpistas  fazem  questão de não esclarecer ) que é preciso haver crime de responsabilidade(clique aqui e entenda) e até o presente momento os golpistas  não conseguiram e não conseguirão provar que a presidenta cometeu.

Juristas de renomes de todo o Brasil já se pronunciaram dizendo que a presidenta Dilma, não cometeu nenhum crime(clique aqui) por conta das pedaladas fiscais(clique aqui),  e assinaram um manifesto contrário ao famigerado processo de impeachment aberto por um dos maiores corruptos do Congresso Nacional, Eduardo Cunha, já denunciado pelo STF,  e muito outros golpistas sem moral,  que continuam apoiando-o e defendendo que ele, Cunha, conduza o tal procedimento ilegal, que embora previsto da Constituição, mas que TEM QUE PROVAR SE HOUVE CRIME DE RESPONSABILIDADE . Ademais, os principais líderes do impeachment estão sendo investigados, denunciados por corrupção.  Paulinho da Força(do Solidariedade), Agripino Maia( DEM), Raul Jungan( recentemente descoberto na lista da Odebrecht), Aécio Neves( delatado OITO vezes na Lava Jato, e nada acontece com ele), José Serra, Jarbas Vasconcelos(PMDB.PE),Mendonça Filho(DEM.PE),Rubens Bueno(PPS.PR), e tantos outros envolvidos em escândalos de corrupção.

Para nos convencermos que um golpe realmente está em curso, basta perceber que as mesmas entidades que apoiaram o Golpe Militar de 1964(clique e veja), declaram de novo, apoio a este novo Golpe, agora político-midiático-judicial, ei-las: TV Globo(Globo Golpista), Folha de S.Paulo, Fiesp, jornal o Globo, Diários Associados( Correio Brasiliense, Estado de Minas, etc),  OAB nacional. Todas essas entidades estão financiando  golpe, não apenas contra a presidenta Dilma ou  PT, mas principalmente contra a Democracia Brasileira, que para retomá-la em 1985, custou a vida de muitos inocentes, que foram torturados, cassados  seus direitos civis,foram mortos e outros exilados.

Os servidores públicos federais, particularmente, nós da Previdência Social, não podemos assistir de camarote a esta  tentativa de Golpe.Essas forças golpistas nos detestam; destruíram nossas liberdades(milhares de servidores públicos federais foram perseguidos e expulsos do serviço público), precarizaram o serviço público; acabaram-se os concursos públicos(só entrava quem tinha “pistolão”, ou famoso  QI).Poderemos ter nossas liberdades sindicais cassadas, como aconteceu em 1964, pois éramos proibidos de fazer greves, de ter sindicatos e  tantos outros direitos que nos foram cassados.

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Portanto, temos que nos somar aos movimentos sociais,aos  intelectuais, aos artistas, aos juristas, aos estudantes, aos sindicatos, ao MST, a CUT e aos  partidos que defendem o Estado Democrático de Direito, e gritarmos bem alto: “Não Vai Ter Golpe”.Nossa militância nas ruas e nas redes sociais, contra o Golpe, é muitíssimo importante!

Não é preciso gostar do PT, de Dilma ou de Lula. Pois muita gente,  nem votou neles, mas nos  dias 18 e 31 de março, foram às ruas, porque finalmente caiu a ficha e perceberam que o golpe é contra a Democracia Brasileira.

As pessoas finalmente perceberam, que o  Juiz Moro, transformou-se numa marionete da Globo Golpista, ficando explicitado para muitos brasileiros que sua cruzada justiceira só atingiu até agora um lado: o PT e seus aliados.Se tiverem culpa que sejam mesmo julgados mas respeitando as leis e o devido processo legal.

Entretanto quando as investigações chegam aos políticos da oposição, principalmente no PSDB, nada acontece. O   exemplo disto é  Aécio Neves, OITO VEZES delatado na Lava Jato e nada aconteceu contra ele!Ficando claro que a LAVA JATO  é  uma operação para cassar o PT e provocar um Golpe de Estado com a ajuda da Grande Mídia, capitaneada pela Rede Globo, que em 1964 foi a principal articuladora do Golpe Militar, que cassou por 23 anos nossos direitos civis. Agora, contudo, temos a internet, que por meio das redes sociais vem desmascarando o verdadeiro intento dos golpistas: impedir que a Lava Jato vá até o seu final, e mostre para o Brasil que todo o sistema eleitoral brasileiro, desde 1980 está contaminado pelo dinheiro dos empresários, e  que não apenas  começou nos “governos do PT”, como a Mídia Golpista repete manipuladamente.

Por  fim, esperams que o Supremos Tribunal Federal, ponha um freio de arrumação nesta justiça partidária,seletiva e golpista, punindo exemplamente todos que cometeram crimes, inclusive o Sr. Sérgio Moro, que infringiu a Lei de Segurança Nacional, ao grampear a presidência da República; se fosse nos Estados Unidos ou na Rússia, a esta hora ele já estaria na preso.

Portanto, caros colegas servidores da Previdência conclamo a todos, que saiam à luta e defendam com todas as suas forças a nossa jovem democracia, contra uma FIESP golpista, que destesta o serviço público e mais ainda seus servidores; denunciem o golpismo da TV Globo, que sempre odiou os servidores públicos;  sempre fez reportagens negativas sobre nós servidores públicos. Nas nossas greves, sempre nos detonou, sempre procurou manchar nossa imagem perante a opinião pública.

Usem as redes sociais para defender a democracia brasileira seriamente ameaçada por esses golpistas sem moral. Tem muita gente que não votou e nem vota no PT, como os integrantes do PSOL e  de  outros  segmentos sociais,  mas  por entenderem que a democracia brasileira  estáseriamente  ameaçada, estão saindo às ruas contra o Golpe.

 

Finalizo com uma célebre frase de nosso grande Ruy Barbosa: “O que me incomoda não é o barulho dos homens maus, mas o silêncio dos  bons”.

Defender a democracia, é defender o serviço público. E quando ocorrea a  ruptura de um regime democrático, o primeiro a ser atingido é o serviço público e principalmente seus servidores.

Avante , companheiros!

Em defesa da Democracia! Não Vai Ter Golpe!

LEIA MAIS:

NÃO AO GOLPE! EM DEFESA DA DEMOCRACIA BRASILEIRA!

18.04.2016
Do portal OPERA MUNDI, 14.01.2011
Por  Sergio Dias Teixeira Junior | São Paulo

CONSENSO DE WASHINGTON

O Consenso de Washington foi uma denominação dada como resultado de uma reunião feita em 1989 na capital dos Estados Unidos com funcionários do governo americano, Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento.

O encontro tinha como objetivo realizar uma avaliação das reformas econômicas feitas pelos países da América Latina e nesse sentido diversos economistas latino americanos participaram para relatar as experiências obtidas pelos seus respectivos países.

Leia mais:
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Houve amplo consenso em relação a excelência das reformas iniciadas ou realizadas na região com exceções feitas para o Brasil e Peru ratificando a proposta neoliberal feita pelo governo norte americano, através dos organismos acima mencionados, como condição essencial para a concessão de cooperação financeira externa, bilateral ou multilateral.

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A mensagem neoliberal do Consenso de Washington acabou por seduzir diversas elites políticas, empresários e intelectuais da região como receituário de modernidade econômica.

Tamanha foi a influência exercida nas classes acima mencionadas que tinha-se a impressão de que os governos dos países latino americanos haviam se conscientizado de que as graves crises econômicas pelos quais passavam não eram consequência de fatores externos tais como a crise do petróleo e a alta das taxas de juros internacionais, mas tão somente de razões internas ligadas às equivocadas políticas nacionalistas e reformas econômicas autoritárias que elaboravam.

Alguns fatos da época também contribuíram para que o discurso tivesse uma melhor disseminação, como a queda do Muro de Berlim, a desintegração da União Soviética e o colapso do comunismo na Europa Oriental. A partir destes encerra-se a disputa ideológica entre o capitalismo ocidental e o comunismo oriental ambiente este extremamente propício aos interesses norte americanos.

O discurso implícito do Consenso de Washington avaliava que os países da América Latina deveriam se modernizar através da abertura de suas economias para o mercado estrangeiro, “modernização pelo mercado”, especialmente para o norte americano.

É importante ressaltar que a preconizada economia de mercado não foi praticada pelos seus idealizadores norte americanos já que a abertura mercadológica em qualquer país de primeiro mundo foi feita através de contrapartidas com os parceiros comerciais, medidas protecionistas de salvaguarda para proteger seus mercados e a redução gradativa das barreiras tarifárias largamente discutidas em negociações do GATT, atual OMC.

Há também a necessidade de se reconhecer que o comércio internacional é dominado por oligopólios onde grandes corporações, com negócios diversificados em vários segmentos, detém parcela significativa das operações internacionais.

Segundo a visão do Consenso, o protecionismo as importações amplamente utilizado na época pelos países da América Latina devido a baixa competitividade de suas economias, grau de endividamento e escassez de moeda estrangeira dentre outros, mostrava-se contrário aos interesses do consumidor nacional, pois limitava-o à acessibilidade de novos produtos bem como inibia a inserção dos países em uma economia mundial mais competitiva.

A proposta de abertura econômica não reconhecia os diferentes níveis de industrialização, desemprego, inflação e desenvolvimento entre os países latino americanos adotando para isso um diagnóstico uniforme para todos eles com uma idêntica aplicabilidade.

Não se levou em consideração a possibilidade da abertura de mercado dos países credores aos devedores como forma de equilíbrio das suas contas externas e tampouco a capacidade do pagamento das respectivas dívidas externas comprometendo assim o desenvolvimento de toda uma América Latina muito endividada.

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Não há como se adotar uma política de abertura mercadológica homogenia quando as diferenças econômicas entre os países são, no mínimo, gritantes.

A grave situação econômico brasileira na década de 80 devido aos constantes pedidos de novos empréstimos internacionais, as renegociações da dívida externa, as altas taxas de inflação e as constantes cartas de intenção junto ao FMI contribuíram para que o governo não tivesse outra alternativa senão comungar com o discurso do Consenso de Washington.

É nesse contexto que nasce a proposta norte americana da criação de uma ALCA (Área de Livre Comércio) na qual diversos países latino americanos ficariam inclinados a aderirem, evidenciando uma total supremacia econômica e mercadológica norte americana na região por conta de uma competição desequilibrada entre os países.

A falência do Estado é outra premissa do Consenso de Washington, pois não caberia ao primeiro a formulação e execução das políticas macroeconômicas, monetárias e fiscais, transferindo essas tarefas aos organismos internacionais.

O Consenso de Washington não tratou de problemas sociais ligados a saúde, educação e eliminação da pobreza dentre outros. Estas questões seriam resolvidas como conseqüência da liberalização econômica

Passou-se até mesmo a duvidar se o Estado teria condições de administrar os recursos naturais dentro do seu próprio território.

Tais recursos passariam a ser administrados não só pelo país como também por organizações não governamentais dos países desenvolvidos.

É nesse sentido que os recursos naturais da Amazônia começaram a despertar o interesse do Grupo do G7 fazendo com que o ex presidente Fernando Collor de Melo concordasse com o Banco Mundial em promover um estudo para tal fim.

A adesão brasileira ao Consenso de Washington se inicia na década de 90 com a gestão do então presidente Fernando Collor de Melo através da abertura ao mercado externo.

Collor elaborou um programa de redução das barreiras tarifárias nas importações brasileiras que de uma só vez beneficiou 1.200 itens sem se preocupar em ter como moeda de troca um incremento às exportações nacionais.

Tal iniciativa de caráter unilateral, apesar do alto preço pago por alguns segmentos econômicos, com destaque para o têxtil que somente na cidade de Americana, interior do Estado de São Paulo, quebrou 70% das indústrias de tecelagem, ajudou o país a conquistar um lugar de destaque no cenário internacional o que, de certa forma, foi benéfico para a economia brasileira.

Sua visão de abertura mercadológica fez com que se comprometesse a realizar em três anos um ambicioso projeto de integração econômica com parceiros do Cone Sul que se iniciou com José Sarney e Raul Alfonsín e cujo prazo original seria dez anos.

Entretanto o impeachment de Fernando Collor de Mello acabou por comprometer o total alinhamento do Brasil ao Consenso de Washington.

Fernando Henrique Cardoso, no final de 1993 lança as bases de um programa de estabilização econômica chamado Plano Real em que consegue controlar a inflação do país e lançar em julho do ano seguinte uma nova moeda brasileira, o Real.

Seu governo também foi marcado por um processo acentuado de privatizações tirando o ônus da responsabilidade governamental na administração de diversas empresas estatais.

Sua postural neoliberal também pode ser entendida como simpatizante do Consenso de Washington uma vez que seu discurso de governo proclamava a mínima participação do Estado na condução das políticas macroeconômicas.

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Apesar de todos esses indícios de alinhamento com o Consenso de Washington, os resultados colhidos pelo país foram bastante significativos.

O crescimento da economia doméstica, as exportações e importações do país, o declínio da taxa de inflação, a diminuição do risco país, o recebimento de investimentos estrangeiros diretos e a melhoria dos níveis de emprego dentre outros foram fatores determinantes para a retomada do crescimento econômico do Brasil e a mudança da sua imagem junto ao mercado internacional.

Pode-se até deduzir que o crescimento experimentado pelo país não era previsto como resultado das medidas recessivas sugeridas pelo Consenso de Washington e que, de certa forma, o governo FHC “atirou no que viu e acertou no que não viu”.

*Sergio Dias Teixeira Junior é docente de comércio exterior e logística internacional do UNIFIEO e da Universidade Mogi das Cruzes, universidades de São Paulo. É membro do Grupo de Estudos de Comércio Exterior -GECEU. O artigo foi publicado originalmente no site Adital.
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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/esp_1350/o+consenso+de+washington+.shtml

07.04.2016
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO

panamá papers leaks documentação offshore brasil

11,5 milhões de arquivos expõem contas offshore, relações com escândalos globais e acordos financeiros secretos. Confira seis coisas que você precisa saber sobre os Panama Papers, o maior vazamento de documentos secretos da história

Sarah Lazare, AlterNet | Tradução: Camila Alvarenga,Opera Mundi

O Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo (ICIJ, sigla em inglês), o jornal alemão Süddeutsche Zeitung e mais de 100 outros parceiros da mídia divulgaram o explosivo vazamento dos “Panama Papers” no domingo (3).

Os documentos são descritos pelo ICIJ, uma rede global de jornalistas investigativos, como “11,5 milhões de arquivos vazados para expor as contas offshore (em território estrangeiro) de líderes políticos mundiais, as relações com escândalos globais e detalhes dos acordos financeiros secretos de empresários que cometem fraudes, traficantes, bilionários, celebridades, estrelas esportivas e mais“.

Mossack Fonseca, o escritório de advocacia baseado no Panamá que foi exposto, supostamente ajudou pessoas ricas e poderosas a esconder e lavar dinheiro, sonegando bilhões de dólares em impostos. A firma possui “escritórios em mais de 35 locais ao redor do planeta, e é uma das principais criadoras de empresas de fachada do mundo — estruturas corporativas que podem ser usadas para esconder os bens de seus donos“, de acordo com o ICIJ. Juntos, os papéis revelam informações de mais de 214 mil empresas offshore ligadas a indivíduos em mais de 200 países e territórios.

Aqui estão seis coisas que você deveria saber sobre essa revelação massiva:

1. Este pode ser o maior vazamento de documentos secretos da história. A escala massiva das revelações dos Panama Papers foi melhor ilustrada por um gráfico produzido pelo Süddeutsche Zeitung. O levantamento do jornal mostra que 2,6 terabytes de informação foram vazados pelos Panama Papers, enquanto que outros casos emblemáticos, como o WikiLeaks (2010) e o SwissLeaks (2014) divulgaram 1,7 e 3,3 gigabytes de informação, respectivamente.

2. Este é o trabalho de um denunciante corajoso. O tuíte a seguir do denunciante da NSA, Edward Snowden, para o anônimo por trás dos Panama Papers diz tudo. “A história por trás dos Panama Papers? A coragem é contagiosa“, disse Snowden no Twitter.

The story behind the ? Courage is contagious.

3. A legalidade ou ilegalidade das ações expostas pelos Panama Papers não é a questão mais importante.

À medida em que jornalistas continuam a examinar a pilha de documentos, muitas perguntas estão centradas em esclarecer se governos e corporações estão ligados a condutas ilegais. No entanto, como o jornalista do site norte-americano Vox Matthew Yglesias escreveu em artigo publicado no domingo (3), os documentos também oferecem “o exame mais minucioso já feito sobre uma realidade banal que esteve escondida por muito tempo diante de nossos olhos. Mesmo que as nações mais ricas e poderosas do mundo tenham se engajado em esforços de cooperação internacional cada vez mais complexos e intensos para amaciar as rodas do comércio global, elas têm deliberadamente escolhido permitir que os membros mais abastados da sociedade ocidental protejam seus bens financeiros de impostos (e, em muitos casos, de divórcios ou falências) ao se aproveitar de empresas de fachada e paraísos fiscais“.

Partindo das observações de Yglesias, o jornalista Glenn Greenwald (do site The Intercept) argumentou que “provar que certo comportamento é ‘legal’ não prova que ele é ético ou justo. Isto é porque sistemas políticos corruptos, por definição, costumam proteger e legalizar exatamente o comportamento que é mais injusto. Jornalismo vital não só expõe o descumprimento da lei. Ele também destaca como sistemas políticos e legais corruptos podem ser cooptados pelos mais poderosos a fim de autorizar legalmente o comportamento destrutivo e atroz que serve aos interesses deles, tipicamente com pouco ou nenhum conhecimento público de que isto está sendo feito“.

4. Muitas pessoas famosas e poderosas estão ligadas às revelações. Aqui estão apenas alguns dos líderes mundiais cujos familiares e sócios próximos estão supostamente envolvidos — até diretamente: o primeiro-ministro britânico, David Cameron; o presidente ucraniano, Petro Poroshenko; o rei saudita, Salman bin Abdulaziz Al Saud; o premiê do Paquistão, Nawaz Sharif; o presidente sul-africano, Jacob Zuma; o presidente sírio, Bashar al-Assad; o presidente chinês, Xi Jinping; o primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur David Gunnlaugsson, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin.

5. Há uma aparente falta de pessoas norte-americanas nomeadas no relatório inicial. Adam Johnson, colaborador dos sites norte-americanos AlterNet e FAIR, apontou estas ausências nas redes sociais: “Os EUA são puros e bons e incorruptíveis“, disse Johnson no Twitter.

Tweet Fixado

Everything 👏 is 👏 nothing 👏 until 👏 it’s 👏 something

No entanto, o editor do Süddeutsche Zeitung disse que mais está por vir.

Editor of Süddeutsche Zeitung responded to the lack of U.S. individuals in the documents, saying “Just wait for what is coming next”

6. Não se esqueça do acordo de “livre-comércio” entre os EUA e o Panamá. Semelhante ao infame Tratado Norte-Americano de Livre-Comércio (Nafta), o Acordo de Promoção Comercial EUA-Panamá foi implementado em 2012.

Segundo Lori Wallach, diretora da ONG de monitoramento de comércio Public Citizen, “quase cinco anos depois da votação do Acordo de Livre-Comércio EUA-Panamá, o vazamento dos Panama Papers prova mais uma vez o quão inteiramente cínicas e insignificantes são as generosas promessas feitas por presidentes e corporações norte-americanas sobre os benefícios econômicos e as reformas políticas que virão desses acordos comerciais. A maior promessa de benefícios vindos do Acordo EUA-Panamá era a de que ele iria acabar com as proteções à confidencialidade dos crimes financeiros do país, além do fim dos paraísos fiscais e das lavagens de dinheiro, mas esse vazamento mostra que a facilitação absurda de crimes financeiros no Panamá se intensificou enquanto as proteções aos investidores do acordo e o selo oficial de aprovação dos EUA aumentaram o fluxo de dinheiro sujo no país“.

Agora, o mesmo elenco de personagens está fazendo promessas igualmente excêntricas sobre os benefícios do Parceria Trans-Pacífico (TPP),”, disse Wallach ao AlterNet, “enquanto, cada vez mais, antigos apoiadores desses pactos estão se juntando a críticos de longa data dizendo que o TPP não dará ganhos econômicos para a maioria dos norte-americanos nem trará melhoras trabalhistas, ambientais ou de políticas de direitos humanos entre seus signatários“.

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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2016/04/6-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-o-panama-papers.html

11.01.2016
Do portal DIARIO DE PERNAMBUCO
Por Agência Estado

Em outubro de 2002, a Petrobras comprou 58,62% das ações da Pérez Companc e 47,1% da Fundação Pérez Companc

O ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, um dos delatores da Operação Lava Jato, afirmou que a venda da empresa petrolífera Pérez Companc envolveu uma propina ao Governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2003) de US$ 100 milhões. As informações constam de documento apreendido no gabinete do senador Delcídio Amaral (PT/MS), ex-líder do governo no Senado.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirma que declarações “vagas como essa, que se referem genericamente a um período no qual eu era presidente e a um ex-presidente da Petrobras já falecido (Francisco Gros), sem especificar pessoas envolvidas, servem apenas para confundir e não trazem elementos que permitam verificação”.

O papel apreendido é parte do resumo das informações que Cerveró prestou à Procuradoria-Geral da República antes de fechar seu acordo de delação premiada. O documento foi apreendido no dia 25 de novembro, quando Delcídio foi preso sob acusação de tramar contra a Operação Lava Jato. O senador, que continua detido em Brasília, temia a delação de Cerveró. Neste documento, o ex-diretor não explica para quem teria ido a suposta propina ou quem teria feito o pagamento. Cerveró citou o nome “Oscar Vicente”, que seria ligado ao ex-presidente argentino Carlos Menem (1989-1999).

“A venda da Pérez Companc envolveu uma propina ao Governo FHC de US$ 100 milhões, conforme informações dos diretores da Pérez Companc e de Oscar Vicente, principal operador de Menem e, durante os primeiros anos de nossa gestão, permaneceu como diretor da Petrobrás na Argentina”, relatou Cerveró.

Em outubro de 2002, a Petrobras comprou 58,62% das ações da Pérez Companc e 47,1% da Fundação Pérez Companc. Na época, a Pecom, como é conhecida, era a maior empresa petrolífera independente da América Latina. A Petrobras, então sob o comando do presidente Francisco Gros, pagou US$ 1,027 bilhão pela Pérez Companc.

No documento, o ex-diretor citou valores que teriam feito parte da negociação. “Cada diretor da Pérez Companc recebeu US$ 1 milhão como prêmio pela venda da empresa e Oscar Vicente, US$ 6 milhões. Nós juntamos a Pérez Companc com a Petrobras Argentina e criamos a PESA (Petrobras Energia S/A) na Argentina.”

Cerveró já foi condenado na Lava Jato. Em uma das ações, o juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da operação na primeira instância, impôs 12 anos e 3 meses de prisão para ex-diretor da Petrobras. Em sua primeira condenação, Cerveró foi condenado a 5 anos de prisão pelo crime de lavagem de dinheiro na compra de um apartamento de luxo em Ipanema, no Rio.

Defesa

“Não tenho a menor ideia da matéria. Na época o presidente da Petrobras era Francisco Gros, pessoa de reputação ilibada e sem qualquer ligação político-partidária. Afirmações vagas como essa, que se referem genericamente a um período no qual eu era presidente e a um ex-presidente da Petrobras já falecido, sem especificar pessoas envolvidas, servem apenas para confundir e não trazem elementos que permitam verificação”, afirmou Fernando Henrique Cardoso.
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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/politica/2016/01/11/interna_politica,620686/cervero-cita-propina-de-us-100-milhoes-ao-governo-fhc-na-venda-da-per.shtml

03.02.2015

Do portal BRASIL247

:

O jornalista Mauro Santayanna, um dos mais experientes do País, publicou um importante artigo sobre a campanha de desmoralização da Petrobras; “É preciso tomar cuidado com a desconstrução artificial, rasteira, e odiosa, da Petrobras e com a especulação com suas potenciais perdas no âmbito da corrupção, especulação esta que não é apenas econômica, mas também política”, alerta; “A Petrobras não é apenas uma empresa. Ela é uma Nação. Um conceito. Uma bandeira. E por isso, seu valor é tão grande, incomensurável, insubstituível”, afirma; “Esta é a crença que impulsiona os que a defendem. E, sem dúvida alguma, também, a abjeta motivação que está por trás dos canalhas que pretendem destruí-la”; leia a íntegra de um texto antológico

3 de Fevereiro de 2015 às 08:00

Por Mauro Santayanna

O adiamento do balanço da Petrobras do terceiro trimestre do ano passado foi um equívoco estratégico da direção da companhia, cada vez mais vulnerável à pressão que vem recebendo de todos os lados, que deveria, desde o início do processo, ter afirmado que só faria a baixa contábil dos eventuais prejuízos com a corrupção, depois que eles tivessem, um a um, sua apuração concluída, com o avanço das investigações.

A divulgação do balanço há poucos dias, sem números que não deveriam ter sido prometidos, levou a nova queda no preço das ações.

E, naturalmente, a novas reações iradas e estapafúrdias, com mais especulação sobre qual seria o valor — subjetivo, sujeito a flutuação, como o de toda empresa de capital aberto presente em bolsa — da Petrobras, e o aumento dos ataques por parte dos que pretendem aproveitar o que está ocorrendo para destruir a empresa — incluindo hienas de outros países, vide as últimas idiotices do Financial Times – que adorariam estraçalhar e dividir, entre baba e dentes, os eventuais despojos de uma das maiores empresas petrolíferas do mundo.

O que importa mais na Petrobras?

O valor das ações, espremido também por uma campanha que vai muito além da intenção de sanear a empresa e combater eventuais casos de corrupção e que inclui de apelos, nas redes sociais, para que consumidores deixem de abastecer seus carros nos postos BR; à aberta torcida para que “ela quebre, para acabar com o governo”; ou para que seja privatizada, de preferência, com a entrega de seu controle para estrangeiros, para que se possa — como afirmou um internauta — “pagar um real por litro de gasolina, como nos EUA”?

Para quem investe em bolsa, o valor da Petrobras se mede em dólares, ou em reais, pela cotação do momento, e muitos especuladores estão fazendo fortunas, dentro e fora do Brasil, da noite para o dia, com a flutuação dos títulos derivada, também, da campanha antinacional em curso, refletida no clima de “terrorismo” e no desejo de “jogar gasolina na fogueira”, que tomou conta dos espaços mais conservadores — para não dizer golpistas, fascistas, até mesmo por conivência — da internet.

Para os patriotas, e ainda os há, graças a Deus, o que importa mais, na Petrobras, é seu valor intrínseco, simbólico, permanente, e intangível, e o seu papel estratégico para o desenvolvimento e o fortalecimento do Brasil.

Quanto vale a luta, a coragem, a determinação, daqueles que, em nossa geração, foram para as ruas e para a prisão, e apanharam de cassetete e bombas de gás, para exigir a criação de uma empresa nacional voltada para a exploração de uma das maiores riquezas econômicas e estratégicas da época, em um momento em que todos diziam que não havia petróleo no Brasil, e que, se houvesse, não teríamos, atrasados e subdesenvolvidos que “somos”, condições técnicas de explorá-lo?

Quanto vale a formação, ao longo de décadas, de uma equipe de 86.000 funcionários, trabalhadores, técnicos e engenheiros, em um dos segmentos mais complexos da atuação humana?

Quanto vale a luta, o trabalho, a coragem, a determinação daqueles, que, não tendo achado petróleo em grande quantidade em terra, foram buscá-lo no mar, batendo sucessivos recordes de poços mais profundos do planeta; criaram soluções, “know-how”, conhecimento; transformaram a Petrobras na primeira referência no campo da exploração de petróleo a centenas, milhares de metros de profundidade; a dezenas, centenas de quilômetros da costa; e na mais premiada empresa da história da OTC – Offshore Technology Conferences, o “Oscar” tecnológico da exploração de petróleo em alto mar, que se realiza a cada dois anos, na cidade de Houston, no Texas, nos Estados Unidos?

Quanto vale a luta, a coragem, a determinação, daqueles que, ao longo da história da maior empresa brasileira — condição que ultrapassa em muito, seu eventual valor de “mercado” — enfrentaram todas as ameaças à sua desnacionalização, incluindo a ignominiosa tentativa de alterar seu nome, retirando-lhe a condição de brasileira, mudando-o para “Petrobrax”, durante a tragédia privatista e “entreguista” dos anos 1990?

Quanto vale uma companhia presente em 17 países, que provou o seu valor, na descoberta e exploração de óleo e gás, dos campos do Oriente Médio ao Mar Cáspio, da costa africana às águas norte-americanas do Golfo do México?

Quanto vale uma empresa que reuniu à sua volta, no Brasil, uma das maiores estruturas do mundo em Pesquisa e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, trazendo para cá os principais laboratórios, fora de seus países de origem, de algumas das mais avançadas empresas do planeta?

Por que enquanto virou moda — nas redes sociais e fora da internet — mostrar desprezo, ódio e descrédito pela Petrobras, as mais importantes empresas mundiais de tecnologia seguem acreditando nela, e querem desenvolver e desbravar, junto com a maior empresa brasileira, as novas fronteiras da tecnologia de exploração de óleo e gás em águas profundas?

Por que em novembro de 2014, há apenas pouco mais de três meses, portanto, a General Electric inaugurou, no Rio de Janeiro, com um investimento de 1 bilhão de reais, o seu Centro Global de Inovação, junto a outras empresas que já trouxeram seus principais laboratórios para perto da Petrobras, como a BG, a Schlumberger, a Halliburton, a FMC, aSiemens, a Baker Hughes, a Tenaris Confab, a EMC2 a V&M e a Statoil?

Quanto vale o fato de a Petrobras ser a maior empresa da América Latina, e a de maior lucro em 2013 — mais de 10 bilhões de dólares — enquanto a PEMEX mexicana, por exemplo, teve um prejuízo de mais de 12 bilhões de dólares no mesmo período?

Quanto vale o fato de a Petrobras ter ultrapassado, no terceiro trimestre de 2014, a EXXON norte-americana como a maior produtora de petróleo do mundo, entre as maiores companhias petrolíferas mundiais de capital aberto?

É preciso tomar cuidado com a desconstrução artificial, rasteira, e odiosa, da Petrobras e com a especulação com suas potenciais perdas no âmbito da corrupção, especulação esta que não é apenas econômica, mas também política.

A PETROBRAS teve um faturamento de 305 bilhões de reais em 2013, investe mais de 100 bilhões de reais por ano, opera uma frota de 326 navios, tem 35.000 quilômetros de dutos, mais de 17 bilhões de barris em reservas, 15 refinarias e 134 plataformas de produção de gás e de petróleo.

É óbvio que uma empresa de energia com essa dimensão e complexidade, que, além dessas áreas, atua também com termoeletricidade, biodiesel, fertilizantes e etanol, só poderia lançar em balanço eventuais prejuízos com o desvio de recursos por corrupção, à medida que esses desvios ou prejuízos fossem “quantificados” sem sombra de dúvida, para depois ser — como diz o “mercado” — “precificados”, um por um, e não por atacado, com números aleatórios, multiplicados até quase o infinito, como tem ocorrido até agora.

As cifras estratosféricas (de 10 a dezenas de bilhões de reais), que contrastam com o dinheiro efetivamente descoberto e desviado para o exterior até agora, e enchem a boca de “analistas”, ao falar dos prejuízos, sem citar fatos ou documentos que as justifiquem, lembram o caso do “Mensalão”.

Naquela época, adversários dos envolvidos cansaram-se de repetir, na imprensa e fora dela, ao longo de meses a fio, tratar-se a denúncia de Roberto Jefferson, depois de ter um apaniguado filmado roubando nos Correios, de o “maior escândalo da história da República”, bordão esse que voltou a ser utilizado maciçamente, agora, no caso da Petrobras.

Em dezembro de 2014, um estudo feito pelo instituto Avante Brasil, que, com certeza não defende a “situação”, levantou os 31 maiores escândalos de corrupção dos últimos 20 anos.

Nesse estudo, o “mensalão” — o nacional, não o “mineiro” — acabou ficando em décimo-oitavo lugar no ranking, tendo envolvido menos da metade dos recursos do “trensalão” tucano de São Paulo e uma parcela duzentas menor que a cifra relacionada ao escândalo do Banestado, ocorrido durante o mandato de Fernando Henrique Cardoso, que, em primeiríssimo lugar, envolveu, segundo o levantamento, em valores atualizados, aproximadamente 60 bilhões de reais.

E ninguém, absolutamente ninguém, que dizia ser o mensalão o maior dos escândalos da história do Brasil, tomou a iniciativa de tocar, sequer, no tema — apesar do “doleiro” do caso Petrobras, Alberto Youssef, ser o mesmo do caso Banestado — até agora.

Os problemas derivados da queda da cotação do preço internacional do petróleo não são de responsabilidade da Petrobras e afetam igualmente suas principais concorrentes.

Eles advém da decisão tomada pela Arábia Saudita de tentar quebrar a indústria de extração de óleo de xisto nos Estados Unidos, aumentando a oferta saudita e diminuindo a cotação do produto no mercado global.

Como o petróleo extraído pela Petrobras destina-se à produção de combustíveis para o próprio mercado brasileiro, que deve aumentar com a entrada em produção de novas refinarias, como a Abreu e Lima; ou para a “troca” por petróleo de outra graduação, com outros países, a empresa deverá ser menos prejudicada por esse processo.

A produção de petróleo da companhia está aumentando, e também as descobertas, que já somam várias depois da eclosão do escândalo.

E, mesmo que houvesse prejuízo — e não há — na extração de petróleo do pré-sal, que já passa de 500.000 barris por dia, ainda assim valeria a pena para o país, pelo efeito multiplicador das atividades da empresa, que garante, com a política de conteúdo nacional mínimo, milhares de empregos qualificados na construção naval, na indústria de equipamentos, na siderurgia, na metalurgia, na tecnologia.

A Petrobras foi, é e será, com todos os seus problemas, um instrumento de fundamental importância estratégica para o desenvolvimento nacional, e especialmente para os estados onde tem maior atuação, como é o caso do Rio de Janeiro.

Em vez de acabar com ela, como muitos gostariam, o que o Brasil precisaria é ter duas, três, quatro, cinco Petrobras.

É necessário punir os ladrões que a assaltaram?

Ninguém duvida disso.

Mas é preciso lembrar, também, uma verdade cristalina.

A Petrobras não é apenas uma empresa.

Ela é uma Nação.

Um conceito.

Uma bandeira.

E por isso, seu valor é tão grande, incomensurável, insubstituível.

Esta é a crença que impulsiona os que a defendem.

E, sem dúvida alguma, também, a abjeta motivação que está por trás dos canalhas que pretendem destruí-la.

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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/economia/168772/Aos-canalhas-que-querem-destruir-a-Petrobras.htm