Arquivo da categoria ‘CAPTALISMO’

28.02.2020
Do blog JORNAL GGN

Ministro das Relações Exteriores de Bolsonaro defende que o nazismo e o fascismo eram movimentos da esquerda política. Erro é confrontado por falas de Hitler

Jornal GGN – O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, protagonizou uma polêmica neste final de semana que repercutiu amplamente nas redes sociais, após defender que o nazismo e o fascismo eram movimentos da esquerda política. Além da crítica em massa de historiadores contra a declaração do ministro de Bolsonaro, também nas redes sociais trechos de falas do próprio nazista Adolf Hitler desmentem a defesa de Araújo.

Durante uma entrevista, o Itamaraty repetiu a sua defesa de que regimes totalitários como o fascismo e o nazismo eram “fenômenos de esquerda”. “É uma coisa que eu falo muito e é muito uma tendência da esquerda. Ela pega uma coisa boa, sequestra e perverte, transforma em uma coisa ruim. Acho que é mais ou menos o que aconteceu sempre com esses regimes totalitários”, havia introduzido.

“Por isso que eu digo também que… quer dizer, isso tem a ver com o que eu digo, que fascismo e nazismo são fenômenos de esquerda, não é?”, continuou na declaração polêmica.

A posição equivocada de Ernesto Araújo já havia sido manifestada em ocasiões anteriores, como em um artigo publicado em 2017, dizendo que na década de 1920, “o socialismo se dividiu em duas correntes, uma que permaneceu antinacionalista; e outra que, para chegar ao poder, na Itália e na Alemanha, sequestrou o nacionalismo, deturpou e escravizou o sentimento nacional genuíno para seus fins malévolos, gerando o fascismo e o nazismo”.

E na manhã do último sábado (30), ele voltou a publicar a manifestação em seu blog pessoal, compartilhando o texto “Pela aliança liberal-conservadora”, no “Metapolitica 17”, defendendo de novo que o nazismo e o fascismo eram movimentos da esquerda, e não da direita política.

“A esquerda fica apavorada cada vez que ressurge o debate sobre a possibilidade de classificar o nazismo como movimento de esquerda. Dá a impressão de que existe aí um perigoso segredo de família, cuidadosamente guardado”, disse o chanceler.

Além de historiadores e pesquisadores do Brasil e de todo o mundo criticarem o chanceler brasileiro pelo erro, um vídeo foi compartilhado nas redes sociais em que mostra declarações do próprio nazista Hitler dizendo ser contra o marxismo e que o Partido Nazista tinha esse objetivo de acabar com a esquerda.

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Fonte:https://jornalggn.com.br/historia/hitler-a-perseguicao-aos-marxistas-e-o-erro-de-ernesto-araujo/

09.08.2019
Do portal OPEN DEMOCRACY(espanhol)*, 08.08.19
Por José Luís Fiori/William Nozaki

A única coisa que incomoda os protagonistas desse escândalo é o fato de que sua “conspiração” foi divulgada e que todos entenderam quem é o verdadeiro poder por trás da chamada “República de Curitiba”.

Donald Trump participa de uma coletiva de imprensa conjunta com Jair Bolsonaro no Rose Garden da Casa Branca em Washington D.C., Estados Unidos, em 19 de março de 2019. Agência de Notícias Ting Shen / Xinhua / PA Images. Todos os direitos reservados

É comum falar de “teoria da conspiração” toda vez que alguém revela ou denuncia práticas políticas ou articulações “irregulares”, ocultas do público em geral e conhecidas apenas por pessoas de dentro ou por pessoas com mais conhecimento. E quase sempre, quando essa expressão é usada, tem o propósito de desqualificar a queixa que foi feita, ou a pessoa que tornou público o que estava destinado a esconder na sombra ou no esquecimento da história.

Mas, de fato, mais rigorosamente, não existe uma “teoria da conspiração”. O que existem são “teorias do poder” e “conspiração” é apenas uma das práticas mais comuns e necessárias dos envolvidos na luta política. diariamente pelo poder em si e essa distinção conceitual é muito importante para quem pretende analisar a situação política nacional ou internacional, sem medo de ser acusada de “conspiração”.

E este é um ponto de partida fundamental para a pesquisa que pretendemos fazer sobre qual foi o verdadeiro papel do governo dos Estados Unidos no Golpe de Estado 2015/2016 e na eleição do Capitão Bolsonaro “, em 2018. Neste caso , não há como não seguir o caminho da chamada “conspiração”, que culminou na ruptura institucional e na mudança do governo brasileiro.

E nossa hipótese preliminar é que a história dessa conspiração começou na primeira década do século 21, durante o “mandarinato” do vice-presidente dos Estados Unidos Dick Cheney, embora tenha tomado outra direção e velocidade desde a presidência de Donald Trump e a formulação de sua nova “estratégia de segurança nacional”, em dezembro de 2017.

A princípio foi uma surpresa, mas hoje todos já entenderam que essa nova estratégia abandonou os antigos parâmetros ideológicos e morais da política externa dos Estados Unidos, defendendo a democracia, os direitos humanos e o desenvolvimento econômico, e assumiu explicitamente um projeto para construir um império militar global, com a fragmentação e multiplicação de conflitos, e o uso de várias formas de intervenção externa, em países que se tornam alvos americanos.

Seja através da manipulação inconsciente dos eleitores e da vontade política dessas sociedades; quer através de novas formas “constitucionais” de golpe de Estado; seja através de sanções econômicas cada vez mais extensas e letais capazes de paralisar e destruir a economia nacional dos países afetados; ou, finalmente, através das chamadas “guerras híbridas” destinadas a destruir a vontade política do adversário, usando informação em vez de força, sancionando mais do que bombardear e desmoralizar intelectualmente do que torturar.

Deste ponto de vista, é interessante acompanhar a evolução destas propostas nos documentos dos Estados Unidos em que se definem os objetivos estratégicos do país e suas principais formas de ação.

Assim, por exemplo, no Manual de Treinamento das Forças Especiais dos EUA,  preparado para as Guerras Não Convencionais, publicado pelo Pentágono em 2010, já está explicitamente declarado que “o objetivo dos EUA neste tipo de guerra é explorar as vulnerabilidades políticas, militares, econômicas e psicológicas dos poderes hostis, desenvolvendo e apoiando as forças internas de resistência para alcançar os objetivos estratégicos dos Estados Unidos “.

Com o reconhecimento de que “num futuro não muito distante, as forças dos EUA participarão predominantemente em operações de guerra irregulares”

Quando, na história recente, o Brasil entrou no radar desses novos padrões de segurança e defesa dos EUA

Essa orientação ficou ainda mais clara no documento que primeiro definiu a nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA da administração Trump, em dezembro de 2017. Lá você pode ler com todas as letras que no “golpe à corrupção” a desestabilização dos governos de países que são “concorrentes” ou “inimigos” deve ter um lugar central dos Estados Unidos.

Essa proposta foi detalhada no novo documento sobre a Estratégia Nacional de Defesa dos Estados Unidos, publicado em 2018, que afirma que “uma nova modalidade de conflito desarmado tem tido uma presença cada vez mais intensa no cenário internacional com o uso de práticas econômicas predatórias, rebeliões sociais, ataques cibernéticos, notícias falsas e métodos de  anticorrupção ”.

É importante ressaltar que nenhum desses documentos deixa a menor dúvida de que todas essas novas formas de “guerra não convencional” deveriam ser usadas – principalmente – contra estados e empresas que desafiam ou ameaçam os objetivos estratégicos dos EUA.

Agora, neste ponto de nossa investigação, vale a pena fazer a pergunta fundamental: quando foi, na história recente, que o Brasil entrou no radar desses novos padrões de segurança e defesa dos EUA? E aqui não há dúvida de que há muitos fatos e decisões que o Brasil fez, especialmente depois de 2003, como a política externa soberana, a liderança autônoma do processo de integração sul-americana, ou mesmo sua participação no bloco econômico dos BRICS, liderado pela China.

Mas não há dúvida de que a descoberta das reservas de petróleo do pré-sal, em 2006, foi o ponto de virada em que o Brasil mudou sua posição na agenda geopolítica dos Estados Unidos. Apenas leia o Blueprint for a Secure Energy Future (Plano para um Futuro Seguro de Energia), publicado em 2011 pelo governo Barack Obama, para ver que na época o Brasil já ocupava uma posição de destaque em três das sete prioridades estratégicas da política energética dos EUA: ( i) como fonte de experiência para a produção de biocombustíveis; (ii) como um parceiro chave para exploração e produção de petróleo em águas profundas; (iii) como um território estratégico para a prospecção no Atlântico Sul.

A partir desse momento, não é difícil rastrear e conectar alguns eventos, especialmente desde que o governo brasileiro promulgou, em 2003, sua nova política de proteger os produtores nacionais de equipamentos de ex-fornecedores estrangeiros da Petrobras, como era o caso, por exemplo, da empresa norte-americana Halliburton, a maior empresa de serviços petrolíferos do mundo, e um dos principais fornecedores internacionais de sondas e plataformas marinhas, administrada até o ano 2000 pelo próprio Dick Cheney, que Ele se tornaria o mais poderoso vice-presidente da história dos Estados Unidos de 2001 a 2009.

A Odebrecht, a OAS e outras grandes empresas brasileiras entram nessa história desde 2003, exatamente no lugar desses importantes fornecedores internacionais que perderam espaço no mercado brasileiro.

Mas nunca houve dúvida de que, em 2006, você tem reservas de petróleo no pré-sal em 2006, o que é um ponto de virada no Brasil, ou o Brasil mudou sua posição na agenda geopolítica dos Estados Unidos. Acabei de ler o Plano para um Futuro Seguro Energético, publicado em 2011 pelo governo Barack Obama, para ver que na época  o Brasil ocupa uma posição de destaque em três prioridades estratégicas dos EUA na política energética: (i) como fonte de experiência para uma produção de bicombustíveis; (ii) como um parceiro chave para exploração e produção de petróleo em águas profundas; (iii) como território estratégico para uma prospecção fora do Atlântico Sul.

A partir desse momento, não é difícil rastrear e conectar quaisquer eventos, especialmente desde que o governo do Brasil promulgou, em 2003, sua nova política de proteger produtores nacionais de equipamentos de antigos fornecedores estrangeiros da Petrobras, como era ou caso, por exemplo, a norte-americana Halliburton, uma grande empresa de serviços petrolíferos do mundo, e um dos principais fornecedores internacionais de sondas e plataformas de marinhas, administrados por Dick Cheney, de 2000 anos, que ele se tornaria ou mais poderoso vice-presidente história dos Estados Unidos de 2001 a 2009.

Para a Odebrecht, OAS e outras grandes empresas brasileiras desde 2003, não há lugar para importantes fornecedores internacionais que perderão espaço no mercado brasileiro.

Agora, retornando ao eixo central de nossa investigação e nosso argumento, é bom lembrar que esse mesmo Dick Cheney, que veio do mundo do petróleo e desempenhou um papel decisivo como Vice-Presidente de George W. Bush, foi quem concebeu e iniciou o processo. chamado de “guerra ao terrorismo”, com o consentimento do Congresso dos EUA para iniciar novas guerras, mesmo sem aprovação parlamentar; e, o que é mais importante para os nossos propósitos, foi capaz de aprovar o direito de acesso a todas as operações financeiras do sistema bancário mundial, praticamente sem restrições, incluindo o antigo segredo bancário suíço e o sistema de pagamentos europeu SWIFT.

A presidência da República, os ministros de Estado e os líderes da Petrobras foram há muito tempo objeto de escuta telefônica e espionagem.

Portanto, não é absurdo pensar que foi nesse caminho que o Departamento de Justiça dos EUA teve acesso à informação financeira que foi então transmitida às autoridades locais dos países que os Estados Unidos decidiram desestabilizar com campanhas seletivas “contra a corrupção”.

No caso brasileiro, pelo menos, foi após esses eventos que a agressão e o roubo de informações geológicas confidenciais e estratégicas da Petrobras ocorreram em 2008, exatamente dois anos após a descoberta das reservas de petróleo do pré-sal no mesmo período, ano em que os Estados Unidos reativaram sua 4ª Frota Naval de Monitoramento do Atlântico Sul.

E foi no ano seguinte, em 2009, que o intercâmbio entre o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e os membros do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal brasileira começou a tratar da lavagem de dinheiro e “lutar contra corrupção ”, em reunião que resultou na iniciativa de cooperação denominada Projeto Ponte, da qual participou o então juiz Sérgio Moro.

Mais tarde, em 2010, a Chevron negociou discretamente, com um dos candidatos para a eleição presidencial brasileira, mudanças no arcabouço regulatório do pré-sal, uma “conspiração” que veio à tona com vazamentos do Wikileaks, que eventualmente se tornou um projeto de lei apresentado e aprovado pelo Senado brasileiro. E três anos depois, em 2013, ficou claro que a presidência da República, os ministros de Estado e os líderes da Petrobras estavam há muito tempo sujeitos à escuta telefônica e à espionagem, como revelaram as acusações de Edward Snowden.

No mesmo ano, o embaixador dos Estados Unidos que acompanhou o golpe de Estado do Paraguai contra o presidente Fernando Lugo foi transferido para a embaixada do Brasil. E foi exatamente após essa mudança diplomática, em 2014, que começou a Operação Lava Jato, que foi instigada a decisão de investigar as recompensas pagas aos diretores da Petrobras, exatamente a partir de 2003, deixando de lado os antigos fornecedores internacionais. no exato momento em que a empresa estava concluindo as negociações com a Halliburton sobre a entrega das plataformas P43 e P48.

Se todos esses dados estivessem corretamente conectados, e se nossa hipótese for crível, não é de surpreender que, após cinco anos do início desta Operação Lava-Jato, os vazamentos publicados pelo site The Intercept Brasil, relatem o viés dos promotores e do principal juiz envolvido nesta operação e causaram uma reação súbita e extemporânea a dois dos principais réus desta história que praticamente se esconderam, praticamente nos Estados Unidos.

Provavelmente em busca de instruções e informações que lhes permitissem sair do caminho e fazer com seus novos acusadores o que sempre fizeram no passado, usando as informações transmitidas para destruir seus oponentes políticos.

No entanto, o pânico do ex-juiz e sua falta de preparação para lidar com a nova situação fizeram com que ele agisse de maneira apressada, solicitando uma licença ministerial e viajando pela segunda vez para os Estados Unidos, tornando este local público na cadeia de comando de uma operação que parece ter sido a única operação de intervenção internacional bem-sucedida, até agora, pela dupla John Bolton e Mike Pompeo, os dois “terroristas suicidas” que comandam a política externa do governo de Donald Trump. Uma operação comandada pelos americanos e endossada pelos militares brasileiros.

A única coisa que os incomoda agora é o fato de que sua “conspiração” foi tornada pública

Portanto, se nossas hipóteses estivessem corretas, não há possibilidade de que as pessoas envolvidas neste escândalo sejam denunciadas e julgadas imparcialmente, porque todos os envolvidos sempre tiveram conhecimento total e aprovaram as práticas ilegais do ex-juiz e seu “promotor auxiliar”, práticas que foram decisivas para a instalação do Capitão Bolsonaro na Presidência da República.

A única coisa que os incomoda neste momento é o fato de que sua “conspiração” foi divulgada e que todos entenderam quem é o verdadeiro poder por trás da chamada “República de Curitiba”.

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NOTA: A matéria acima foi traduzida pelo Google Tradutor.

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Fonte:https://www.opendemocracy.net/es/democraciaabierta-es/conspiraci%C3%B3n-y-corrupci%C3%B3n-una-hip%C3%B3tesis-probable/

08.07.2019
Do portal JORNAL GGN, 07.07.19
Por Luis Nassif

Não há tergiversação possível: ou se é a favor da lei e das instituições, ou se é apenas um vociferante membro da torcida, da plebe ignara e inculta que ameaça invadir os palácios.

As novas revelações da Vazajato, pela Folha, reforçam os pontos centrais dos outros vazamentos (aqui):

1.     O não cumprimento dos acordos de delação.

O acordo de delação exige a mútua confiança de ambas as partes. O réu delata se houver o compromisso do procurador em cumprir o combinado. A legislação é clara sobre os termos do acordo.

Um trecho do acordo mostra que a Lava Jato não seguia nenhum princípio legal nem ético.  Tratava com bandidos e não obedecia sequer a ética dos bandidos, que é o cumprimento do combinado.

2.     O uso do vazamento como instrumento político.


Esse trecho é fantástico. Tema da maior gravidade – a crise política e humanitária da Venezuela -, na qual países mais responsáveis procuram fazer a mediação, potências globais interferem, a alta diplomacia internacional se digladia. E um procurador regional do Paraná, deslumbrado, messiânico, provinciano, imaturo a ponto de ser completamente controlado pelo juiz, tendo nas mãos um inquérito policial, decide o que é bom ou ruim para os cidadãos venezuelanos.

É a subversão total de toda ordem institucional e das atribuições dos poderes.

3.     Comando total de Sérgio Moro, exercido através de Dallagnol.

Depois das discussões, Dallagnol vai até Moro pedir a bênção. E volta com luz verde, comprovando mais uma vez quem chefiava o esquema.

4.     Cooperação informal ilegal com autoridades de outros países.

Fica claro na combinação dos procuradores, sobre como atual com a ex-Procuradora Geral da Venezuela, demitida por Maduro. Acolhem a procuradora, combinam compartilhar delações, atuações políticas. E ainda entregam o vazador mor do grupo, um tal de CF, que a Folha presume ser Carlos Fernando.

Leia também:  Moro aparelha Polícia Federal para retaliar Glenn Greenwald, dizem deputados

5. Vazamentos praticadas pelas três instâncias do MPF

Nesse trecho, planeja-se abertamente o vazamento. E mencionam-se fontes internas que poderiam estar por trás dos últimos vazamentos, tratando como se fosse algo natural. Não afirmam que a Cooperação Internacional da PGR vazou, mas apontam com naturalidade essa possibilidade.

Conclusão

Não há um advogado, juiz ou procurador sério que aceite endossar essas ilegalidades. Apenas um ou outro jurista ou Ministro, que abdicou do direito em favor do proselitismo político, ou que já entrou até o meio do pântano da Lava Jato, sem possibilidade de retorno, esboça alguma defesa desses absurdos.

Nesse momento, o silêncio é aval para a desmoralização final do Supremo, do Ministério Público, do Judiciário em geral. Não há tergiversação possível: ou se é a favor da lei e das instituições, ou se é apenas um vociferante membro da torcida, da plebe ignara e inculta que ameaça invadir os palácios.

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Fonte:https://jornalggn.com.br/noticia/xadrez-de-como-a-lava-jato-nao-seguia-sequer-a-etica-dos-bandidos-por-luis-nassif/

26.01.2015

Do portal OPERA MUNDI

Por Redação | São Paulo

Após acordo com Gregos Independentes, Alexis Tsipras deverá jurar o cargo de primeiro-ministro ainda nesta segunda-feira (26/01)

Após vencer as eleições gregas e ficar a apenas duas cadeiras da maioria absoluta no Parlamento (149 dos 300 assentos), o partido da esquerda radcial Syriza recebeu nesta segunda-feira (26/01) o apoio dos Gregos Independentes, legenda da direita nacionalista, para conseguir formar uma coalizão antiausteridade que governe o país. Com o acordo, Alexis Tsipras, líder do Syriza, irá jurar ainda hoje o cargo de primeiro-ministro.

“Gostaria de dizer, simplesmente, que, a partir deste momento, há governo na Grécia”, disse Panos Kammenos, líder dos Gregos Independentes, após sair de uma reunião com a cúpula do Syriza. O partido nacionalista despontou como a sexta força nas eleições gregas deste domingo (25/01), com 4,75% dos votos (13 cadeiras).

Leia também:
Troika e austeridade viraram ‘coisas do passado’ na Grécia, diz líder do Syriza após vitória

Agência Efe
 
 Alexis Tsipras, líder do Syriza, se reúne com Panos Kammenos, 
do direitista Gregos Independentes, para formar governo de coalizão na Grécia

A legenda direitista dos Gregos Independentes é tida como pequena, populista e de pouca expressão. Embora concorde com o Syriza sobre a necessidade de rever as medidas de austeridade impostas como contrapartida ao “socorro” financeiro oferecido para lidar com a crise, os dois partidos, agora unidos, discordam em uma série de questões sociais, como imigração.

Além do acordo com a legenda da direita nacionalista, Alexis Tsipras deve buscar ainda o apoio de outros dois partidos: o centrista To Potami, liderado por Stavros Theodorakis, e o Partido Comunista KKE, de Dimitris Kutsumbas.

Boca de urna dá vitória ao Syriza nas eleições gregas; Nova Democracia vem em segundo

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Ante os 149 assentos conquistas pelo Syriza, o segundo colocado no pleito legislativo de domingo foi o centro-direita Nova Democracia, do atual premiê, Antonis Samaras, com 76 cadeiras.

Em terceiro, ficou o partido neo-nazista de extrema-direita Aurora Dourada, com 18 representantes no Parlamento. O líder da legenda, Nikolaos Mihaloliakos, e diversas outras figuras do partido, estão ou presos ou sob custódia domicialiar.

Economia

Provável novo ministro das Finanças da Grécia, o deputado do Syriza Yanis Varufakis descartou hoje que a Grécia vá sair da zona do euro após a vitória nas eleições. Em vez de buscar “o confronto”, o novo governo grego negociará construtivamente a reestruturação da dívida do país com Bruxelas e os demais representantes da chamada “troika” — formada por Comissão Europeia, BCE (Banco Central Europeu) e FMI (Fundo Monetário Internacional).

“Houve um pouco de pose de nossa parte”, declarou o parlamentar de nacionalidade grega e australiana. O deputado explicou que o “importante agora é se sentar e conversar” sobre a melhor maneira de reorganizar o pagamento da dívida grega.

Após a vitória da esquerda radical, a Bolsa de Atenas amanheceu hoje com uma queda de mais de 5% na primeira sessão do dia.

A diretoria do BCE também veio a público hoje para acalmar os ânimos do mercado ao dizer não acreditar que haja risco de contágio a outros países do bloco. O francês Bruno Coeuré, membro do diretório do banco, afirmou que as medidas adotadas pela troika “permitem condições financeiras muito protetoras para o resto da zona do euro”.

Movimentações

As reuniões para formar um novo Executivo na Grécia começaram hoje. O primeiro compromisso de Tsipras foi realizado com Kammenos.

Segundo uma fonte da Syriza, a intenção é que Tsipras jure hoje mesmo o cargo e o novo governo esteja definido amanhã à tarde ou no máximo até quarta-feira pela manhã.

* Com informações da Agência Efe

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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/39283/vencedor+de+eleicao+na+grecia+esquerdista+syriza+formara+coalizao+com+direita+nacionalista.shtml

01.12.2014
Do portal BRASIL247, 28.11.14
:
Como pequenas coisas podem fazer uma grande diferença
247 – O lançamento deste livro marcou o surgimento de um novo e brilhante talento jornalístico, nascido nas páginas da The New Yorker. Malcolm Gladwell codificou uma teoria conhecida pelos especialistas em marketing, mas não pelos consumidores afetados por ela: as tendências se espalham como vírus. Para que uma mensagem ou um produto desconhecido se transforme em um fenômeno de público, o especialista em marketing deve primeiro encontrar o “ponto da virada”, aquele flash mágico que projeta a sua iniciativa rumo à popularidade viral. A premissa de Gladwell de que as tendências sociais saturam o público como epidemias contagiosas (apesar da imprevisibilidade dos vírus) desperta a curiosidade do leitor. Formadas por um conjunto de anotações, algumas fugindo desnecessariamente do tópico e outras absolutamente brilhantes, as pesquisas do autor sobre o tema garantem uma leitura fascinante. Apesar de Gladwell não conseguir decifrar plenamente o ciclo da propagação das tendências, a getAbstract recomenda este texto quase seminal, o qual experimentou o seu próprio ponto da virada: de viral se tornou um manual obrigatório para qualquer currículo.

Autor: Malcolm Gladwell
Editora: Sextante
Data de Publicação: 2009
Páginas: 288
ISBN: 9788575424834

Avaliação getAbstract: 9

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Fonte:www.brasil247.com/pt/247/gestao/162071/O-ponto-da-virada.htm
Importância: 7
Inovação: 10
Estilo: 9

Em colaboração com a getAbstract, maior fornecedora mundial de resumos de livros de negócios ****
Fonte:www.brasil247.com/pt/247/gestao/162071/O-ponto-da-virada.htm

24.11.2014

Do portal da Agência Carta Maior, 21.11.14

Por Daniel Fuentes Castro, EL DIARIO.es

 Para Thomas Piketty, autor de ‘O Capital no Século XXI’ a Europa está à beira do abismo de uma grave crise política, econômica e financeira.
ArquivoO economista autor do influente livro “O capital no século XXI” reflete sobre o auge da extrema direita em seu país. “França e Alemanha demonstraram ser egoisticamente míopes em relação à Espanha e à Itália ao renunciar a compartilhar seus tipos de interesse”. “É preciso se acostumar a viver com um crescimento fraco”. “A ideia segundo a qual é preciso insistir em secar os orçamentos com base em mais austeridade para curar o doente me parece completamente insensata”.

Thomas Piketty (Clichy, Francç, 1971), economista da Paris School of Economics, é especialista no estudo das desigualdades econômicas por uma perspectiva comparada. É autor de “O capital no século XXI”, obra que vendeu mais de um milhão de exemplares em todo o mundo e que ao ter sido recentemente editado para espanhol e catalão lhe transformou em um dos economistas mais influentes da atualidade.

A Paris School of Economics, de criação recente, tem sua sede nos locais da École Normal Supérieure (13 prêmios Nobel e 10 medalhas Fields nas costas), no bulevar Jourdan. Não é um dos colossais edifícios do século XIX, de pedra talhada, onde outras instituições como a Sorbonne ou a faculdade de Direito de Panthéon-Assas ainda conservam suas sedes históricas. Trata-se de um conjunto de edifícios relativamente moderno, mas avelhentado. O vinílico desgastado do solo e a cor amarelada de algumas paredes revelam que, se falamos em capital, não é físico, mas sim humano.

Três percevejos da porta do escritório de Piketty seguram uma folha de papel com seu nome. Do quarto só restou a agulha. Seu escritório mede cerca de 15 metros quadrados, 20, se muito, e está cheio de estantes repletas de livros. Não tem assistente pessoal. Não veste terno, nem gravata. Desde o primeiro momento, mostra-se amável, sorridente e natural. Um pouco tímido. Ainda que dê a sensação de não nunca ter quebrado um prato na vida, se expressa sem titubear e com veemência em alguns momentos.

Há quem veja no título “O capital no século XXI” pisca para a obra de Karl Marx “O capital”. Você considera que a confrontação ideológica entre capitalismo e marxismo continua vigente?

A disjuntiva não é capitalismo ou marxismo. Há diferentes maneiras de organizar o capitalismo e há diferentes maneiras de superá-lo. O que meu livro tenta é contribuir com este debate. Quanto ao marxismo, faço parte da primeira geração posterior à Guerra Fria, a primeira geração pós-marxismo. Completei 18 anos com a queda do Muro de Berlim (no dia da entrevista fazia exatamente 25 anos). Li Marx e há ideias interessantes nele, contribuições notórias, mas O capital foi escrito em 1867 e estamos em 2014. O que eu tento é introduzir no século XXI a questão do capital, de seu estudo, isto é, para mim, o que o título do meu livro significa.

Não se pode esquecer que este trabalho teria sido impossível sem as tecnologias da informação, que permitem reunir e tratar dados históricos em uma escala impossível para Marx e até mesmo Kuznets. É fácil criticar os economistas do passado, mas eles trabalhavam na mão. Não contavam com as ferramentas que nós temos e, sobretudo, não tinham a perspectiva histórica que hoje temos e que nos permite contar a história do capital e das desigualdades. Isto é o que meu livro tenta fazer. Não pretende anunciar uma revolução, tenta apenas colocar à disposição dos leitores as pesquisas históricas que pudemos reunir sobre mais de vinte países e que englobam três séculos. O livro é, antes de qualquer coisa, uma história do capital.

Seu livro estuda de maneira empírica, entre outras coisas, a relação entre distribuição de renda do crescimento. Pode-se falar de causalidade direta no sentido de que uma melhor distribuição da renda produzindo uma taxa de crescimento maior como efeito?

A correlação e a causalidade são ambas muito complexas e não vão em um sentido apenas. A desigualdade pode ajudar o crescimento até certo ponto, mas para além de um determinado nível de desigualdade, obtém-se principalmente um efeito negativo que reduz a mobilidade na sociedade e conduz à perpetuação da estratificação social no tempo. Isto tem um impacto negativo sobre o crescimento.

O outro efeito negativo se produz através das instituições políticas: uma desigualdade muito forte pode levar ao sequestro das instituições democráticas por parte de uma pequena elite que não vai necessariamente investir na sociedade pensando no conjunto da população. Por isso, o crescimento no século XXI vai depender em grande medida do investimento em educação e formação, e não unicamente para uma pequena elite, mas para uma imensa maioria da população.

Para além das previsões de conjuntura econômica, o que se pode esperar do crescimento nos próximos anos? O que as expressões desenvolvimento sustentável e decrescimento lhe sugerem?

Acredito que tenhamos que nos acostumar a viver de maneira sustentável com um crescimento fraco. O problema é que tanto na França como em outros países europeus continuamos tendo em mente essa espécie de fantasia dos “trinta gloriosos” (expressão que faz referência às três décadas transcorridas entre a Segunda Guerra Mundial e a crise do petróleo em 1973), segundo a qual precisamos de pelo menos três, quatro ou cinco porcento de crescimento para sermos felizes. Isto não tem sentido. Somente nas fases corretivas em que alguns países recuperam os atrasos em relação a outros, ou em fases de reconstrução, acontecem taxas de crescimento tão elevadas.

É preciso colocar na cabeça que uma taxa de crescimento de 1% ou 1,5% ao ano é um crescimento muito rápido, se prolongado no tempo. Com taxas de crescimento assim durante um período de trinta anos, que é o equivalente a uma geração, acontecerá um crescimento da renda que equivale a um terço ou até mesmo à metade do PIB.

Por outro lado, ter que viver de maneira sustentável não é argumento para defender crescimento nulo. Uma taxa de crescimento entre 1% e 1,5% ao ano no longo prazo é fonte de progresso e não é um objetivo impossível. Agora, para alcançar um ritmo de crescimento assim, é preciso abandonar a atual política de austeridade. Isso em primeiro lugar. E sobretudo é preciso investir em ensino superior, em inovação e meio ambiente… Falo de investir em meio ambiente porque é evidente que terá que encontrar novas fontes de energia renováveis, visto que com as fontes atuais não poderemos manter uma taxa de crescimento de 1% ou 1,5% ao ano indefinidamente.

Considerando as últimas previsões da Comissão Europeia, não parece que estejamos perto de alcançar essa velocidade de cruzada. Você acredita que a austeridade seja um mal necessário para retomar o ritmo de crescimento?

A realidade é que caminhamos rumo a uma década imersos em um clima de recessão e de austeridade. Digo isto porque o PIB por habitante estimado para a França em 2014 ou 2015 é inferior ao de 2006 ou 2007. Esta é a situação. Estamos há quase dez anos em estancamento da renda per capita, da riqueza do país, do poder aquisitivo… A partir daqui podemos discutir tudo o que quisermos sobre qual precisa ser a arrecadação do Estado, quanto deve ser o gasto público ou qual deve ser o peso do setor privado na economia, mas o fato é que a riqueza total disponível é inferior à de 2007. Não recuperamos o nível anterior à crise. É normal que, em uma situação como esta, o ambiente seja depressivo.

A ideia segundo a qual é preciso enxugar os orçamentos com base em mais austeridade para curar o paciente me parece completamente insensata. Digo isto pensando na França, mas o mesmo vale para a Itália, com taxas de crescimento negativas em 2013 e em 2014. É verdade que o crescimento na Espanha está um pouco melhor agora, mas não nos esqueçamos que ela ainda sofre um atraso considerável em termos de renda per capita em comparação a outras grandes economias da Europa.

O resultado global das políticas de austeridade nos últimos quatro ou cinco anos é, de maneira objetiva, muito ruim. Os Estados Unidos tinham uma taxa de desemprego muito similar à da zona do euro de alguns anos atrás e atualmente a diferença é enorme. O desemprego diminuiu ali, apesar de o nível da dívida de ambas economias ser muito semelhante na situação de partida. Não há dúvidas sobre quem escolheu a estratégia adequada.

Que outra estratégia a zona do euro deveria ter seguido para sair da crise?

Acredito que seja necessário tornar comum as dívidas públicas e os juros da dívida pública. França e Alemanha forma extremamente egoístas. Demonstraram ser egoisticamente míopes em relação à Espanha e Itália ao renunciar e compartilhar seus juros. Uma moeda única com 18 dívidas públicas e 18 tipos de juros associados a essa dívida não funciona. Os atores financeiros não têm confiança neste sistema. Poderemos sair desta crise somente se criarmos um fundo comum de dívida pública com apenas um tipo de juro. O Banco Central Europeu poderá, então, estabilizar esse tipo de juros com menor dificuldade do que atualmente com 18 diferentes.

Agora, se quisermos gerir a dívida de maneira comum, precisamos também de um Parlamento da zona do euro que tome decisões a este respeito, entre outras coisas, sobre o nível de déficit comum. Isto é o que faltou até agora nas proposições de reorientação da construção europeia que Hollande esboçou na França, e do que também se falou na Espanha e na Itália. Finalmente, isso não se traduziu em uma proposta concreta de união política e, ao mesmo tempo, orçamentária. Ambas são coisas necessárias.

Você fala em reformar o desenho institucional da zona do euro. Que diferenças haveria entre o atual Parlamento Europeu e esse Parlamento orçamentário a que você se refere na última parte de seu livro?

Atualmente, temos um Parlamento Europeu em que estão representados 28 países e, por outro lado, o Conselho Europeu de Chefes de Estado ou de Governo e o Conselho de Assuntos Econômicos e Financeiros (integrados pelos ministros de Economia e Finanças). São vários os problemas desta arquitetura democrática. O primeiro é que nem todos os 28 países representados no Parlamento Europeu querem avançar rumo a uma maior integração política, fiscal e orçamentária. O segundo, que o Parlamento Europeu não representa absolutamente as instituições dos Estado-nação e, concretamente, os parlamentos nacionais.

Por isso, acredito que faz falta, paralelamente ao atual Parlamento Europeu, uma câmara parlamentar da zona do euro ou, em todo caso, uma câmara formada pelos países da zona do euro que queiram avançar em direção a uma união política, orçamentária e fiscal, e que teria que se construir a partir dos diferentes parlamentos nacionais. Cada país estaria representado proporcionalmente à sua população, nem mais, nem menos. O mesmo para Alemanha e França e os demais. A atribuição desta nova Câmara consistiria em votar questões como um imposto comum sobre sociedade ou o nível de déficit comunitário.

Não são poucos os que pensam que, em vez de mais integração, o razoável seria retomar as moedas nacionais.

Não, para mim não é a boa solução. Agora, sem propostas alternativas rápidas, acredito que o retorno às moedas nacionais será um cenário cada vez mais difícil de descartar. Concretamente, a única resposta dada na França aos que querem sair do euro consiste em dizer que é impossível, que está proibido, que agora que entramos não se pode retroceder… Esta resposta é extraordinariamente fraca e não vai durar muito tempo mais.

A saída da crise está em avançar na união dos países da zona do euro. De certa forma, a pior das situações é a atual, porque perdemos a possibilidade de desvalorizar a moeda, perdemos a soberania monetária nacional, em troca teríamos que ganhar novas formas de soberania fiscal e orçamentária, maior capacidade para arrecadar imposta de maneira mais justa, mais capacidade de resistência para proteger frente ao risco de especulação sobre os tipos de juros da dívida pública. Até agora, França e Alemanha ganharam neste jogo, mas a única alternativa para a saída do euro é uma união da dívida, uma união fiscal. Se não nos apressarmos, acredito que as forças políticas a favor da saída do euro vão ganhar a partida.

O que se pode esperar da França na construção desta nova arquitetura institucional Europeia, exatamente agora em que a extrema direita lidera as pesquisas? A Europa deve se preocupar?

É preciso se preocupar, absolutamente. Não acredito que a Frente Nacional chegará ao poder no Eliseu ou à presidência da República, mas pode conseguir a presidência de várias regiões. No próximo ano, há eleições regionais, e dado o modo de distribuição das cadeiras, é perfeitamente possível que duas ou três regionais, ou até mais, caiam do lado da Frente Nacional.

Em um sistema eleitoral como o das eleições presidenciais, estamos acostumados que a Frente Nacional perca, inclusive se for o partido mais votado do primeiro turno. Entretanto, nas regionais, o partido mais votado obtém uma parte equivalente a um quarto das cadeiras (o resto se divide de maneira proporcional). Se a Frente Nacional conseguir 30% ou 35% dos votos em uma região, a direita 25% e a esquerda 20%, por exemplo, a parte do partido mais votado faz com que a Frente Nacional aspire ter maioria absoluta nessa região.

Será um choque enorme na Europa. Até agora, a Frente Nacional ganhou somente em algumas cidades pequenas, mas se regiões inteiras passarem a ser governadas pela extrema direita, a história será outra. Não vai ser uma piada. Vão criar tensões em algumas regiões do país e o resultado pode ser extremamente violento.

Até esse ponto?

Estamos de fato à beira do abismo de uma crise política, econômica e financeira. A crise é responsabilidade de todos os países, mas não entendo como a Alemanha continua pensando que tem interesse em manter esta visão tão rígida da austeridade… Afinal de contas, nem sequer lá o crescimento é elevado. Que consta que a responsabilidade também é da França, por não fazermos verdadeiras propostas progressivas e de refundação democrática da Europa. E continuamos esperando propostas da Espanha e da Itália. Em todo caso, acredito que a situação seja grave e que as eleições regionais na França no próximo ano serão um choque.

Muitos eleitores se incomodam porque interpretam seu livro como a evidência de um futuro com menor crescimento e pior distribuição da riqueza. Há argumentos para o otimismo?

Claro que sim. Essa é minha maneira de ser. Sinto muito se alguns chegam a conclusões pessimistas após a leitura do livro! Eu acredito no progresso social, econômico e democrático e no crescimento. Mas é preciso se acostumar a viver com crescimento menor. Insisto em que um crescimento mais fraco, se mantido no tempo, é compatível com o progresso. Há trinta anos, não dispúnhamos das atuais tecnologias da informação, por exemplo. Se nos organizarmos bem, nos dotarmos das instituições adequadas para que todo mundo possa se beneficiar, essas tecnologias serão uma enorme fonte de riquezas.

Acredito no progresso técnico e na mundialização, e o livro não é pessimista em relação ao futuro. Simplesmente, para que estas coisas beneficiem a todos, fazem falta instituições democráticas, sociais, educativas, fiscais e financeiras que funcionam corretamente. O problema é que, depois da queda do Muro de Berlim, nós imaginamos, por um momento, que era suficiente se basear nas forças naturais do mercado para que o processo de globalização e de competitividade beneficiasse a todos. Acredito que o erro esteja aí. É preciso repensar os limites do mercado, do capitalismo, e repensar também as instituições democráticas.

Tradução: Daniella Cambaúva

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Fonte:http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Economia/Piketty-Estamos-a-beira-de-uma-grave-crise-politica-economica-e-financeira/7/32284