Arquivo da categoria ‘ditadura militar’

28.02.2020
Do blog JORNAL GGN

Ministro das Relações Exteriores de Bolsonaro defende que o nazismo e o fascismo eram movimentos da esquerda política. Erro é confrontado por falas de Hitler

Jornal GGN – O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, protagonizou uma polêmica neste final de semana que repercutiu amplamente nas redes sociais, após defender que o nazismo e o fascismo eram movimentos da esquerda política. Além da crítica em massa de historiadores contra a declaração do ministro de Bolsonaro, também nas redes sociais trechos de falas do próprio nazista Adolf Hitler desmentem a defesa de Araújo.

Durante uma entrevista, o Itamaraty repetiu a sua defesa de que regimes totalitários como o fascismo e o nazismo eram “fenômenos de esquerda”. “É uma coisa que eu falo muito e é muito uma tendência da esquerda. Ela pega uma coisa boa, sequestra e perverte, transforma em uma coisa ruim. Acho que é mais ou menos o que aconteceu sempre com esses regimes totalitários”, havia introduzido.

“Por isso que eu digo também que… quer dizer, isso tem a ver com o que eu digo, que fascismo e nazismo são fenômenos de esquerda, não é?”, continuou na declaração polêmica.

A posição equivocada de Ernesto Araújo já havia sido manifestada em ocasiões anteriores, como em um artigo publicado em 2017, dizendo que na década de 1920, “o socialismo se dividiu em duas correntes, uma que permaneceu antinacionalista; e outra que, para chegar ao poder, na Itália e na Alemanha, sequestrou o nacionalismo, deturpou e escravizou o sentimento nacional genuíno para seus fins malévolos, gerando o fascismo e o nazismo”.

E na manhã do último sábado (30), ele voltou a publicar a manifestação em seu blog pessoal, compartilhando o texto “Pela aliança liberal-conservadora”, no “Metapolitica 17”, defendendo de novo que o nazismo e o fascismo eram movimentos da esquerda, e não da direita política.

“A esquerda fica apavorada cada vez que ressurge o debate sobre a possibilidade de classificar o nazismo como movimento de esquerda. Dá a impressão de que existe aí um perigoso segredo de família, cuidadosamente guardado”, disse o chanceler.

Além de historiadores e pesquisadores do Brasil e de todo o mundo criticarem o chanceler brasileiro pelo erro, um vídeo foi compartilhado nas redes sociais em que mostra declarações do próprio nazista Hitler dizendo ser contra o marxismo e que o Partido Nazista tinha esse objetivo de acabar com a esquerda.

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Fonte:https://jornalggn.com.br/historia/hitler-a-perseguicao-aos-marxistas-e-o-erro-de-ernesto-araujo/

02.07.2019
Do blog CATRACA LIVRE, 01.07.19

O major foi assassinado no Brasil pelo Comando de Libertação Nacional (Colina), um grupo guerrilheiros que lutava contra a Ditadura Militar

O Exército Brasileiro homenageou em seu site e redes sociais nesta segunda-feira, 1º, um major que integrava o exército nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

O oficial homenageado foi o major alemão Eduard Ernest Thilo Otto Maximilian von Westernhagen.

exército brasileiro homenageou nazista

Crédito: Reprodução/TwitterExército Brasileiro homenageia major que lutou junto aos nazistas

O major veio ao Brasil em 1966 para participar de um curso do a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), e foi assassinado, dois anos depois, pelo Comando de Libertação Nacional (Colina), um grupo guerrilheiros que lutava contra a Ditadura Militar.

No texto de homenagem ao oficial nazista, é destacado que “ao perpetuar a memória do Major Otto von Westernhagen,  o Exército Brasileiro presta uma justa homenagem ao primeiro oficial da Alemanha a cursar a escola”. “Um sobrevivente da 2ª Guerra Mundial e das prisões totalitárias soviéticas, cuja vida foi encurtada por um ato terrorista insano e covarde”, descreve o texto.

Relevante destacar que o Exército brasileiro foi a 2ª Guerra lutar contra o nazismo, a tortura, os campos de concentração que dizimou populações inteiras no leste europeu. Desde comunistas soviéticos até judeus foram assassinados pelo nazismo, em nome da raça ariana para obter o controle político e econômico da região.

Ironicamente, no mínimo, durante o governo Bolsonaro, o Exército toma decisão de homenagear o inimigo.

Ver imagem no Twitter

Exército Brasileiro

@exercitooficial

Prestamos hoje homenagem ao oficial de nação amiga, Major do Exército Alemão Otto Maximilian, aluno da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército que, em 1º de julho de 1968, foi assassinado no Brasil.https://mla.bs/07d16796

NOTA DO EDITOR DO BLOG
Convém apurar melhor as origens deste militar alemão. O que se sabe é que a própria Folha de S.Paulo,em 1968,  divulgou que ele foi condecorado por Hitler.
No entanto, perguntamos porque  o Exército Brasileiro quis homenagear  um oficial alemão, condecorado  pelo maior homicida da História, Hitler?

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Fonte:https://catracalivre.com.br/cidadania/exercito-brasileiro-homenageia-major-que-lutou-junto-aos-nazistas/

07.04.2016
Do portal PERNAMBUCO247,05.04.16

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Bartolomeu Bueno de Freitas Morais, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), fala em “campanha sistemática” da Rede Globo “para derrubar uma presidenta legitimamente eleita”; ele criticou o fato de a emissora ter gravado “ilegalmente o Ministro Barroso do STF em palestra para estudantes”, “dando a interpretação que lhe interessa, na sua campanha sórdida de derrubada da Presidente”; segundo ele, este tipo de ação “não é imprensa livre. É imprensa corrupta! Merece punição!”

Pernambuco 247 – O desembargador do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), Bartolomeu Bueno de Freitas Morais, usou sua página pessoal no Facebook para criticar o que ele qualifica como sendo uma “campanha sistemática que a Rede Globo vem fazendo para derrubar uma presidenta legitimamente eleita”.

No post, datado do dia 31 de março, Bueno destaca que não votou e nem apoia o governo da presidente Dilma Rousseff, mas diz que a emissora passou dos limites ao gravar “ilegalmente o ministro [Luís Roberto] Barroso do STF em palestra para estudantes e divulga dando a interpretação que lhe interessa, na sua campanha sórdida de derrubada da Presidente”.

O desembargador termina a postagem considerando que este tipo de ação “não é imprensa livre. É imprensa corrupta! Merece punição!”.

Confira abaixo a íntegra de seu texto: 

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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/pernambuco247/224047/Desembargador-critica-%E2%80%9Ccampanha%E2%80%9D-da-Globo-contra-Dilma.htm

27.02.2015

Do Twitter.com, 18.02.15

Por 

Link permanente da imagem incorporada

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Fonte:https://twitter.com/i/notifications

23.02.2015

Do portal da UNIVERSIDADE PAULISTA “JÚLIO MESQUITA FILHO”

Por Carolina Silva Pedroso*

Antonio Ledezma, prefeito de Caracas, Venezuela

Em uma época marcada pela instantaneidade de informações, diante da enorme profusão de dados propiciada pelas redes sociais, a notícia da prisão do prefeito de Caracas se insere: minutos antes de ser detido, Antonio Ledezma utilizou sua conta no Twitter para descrever a truculência com que foi levado de seu gabinete. Foi também nesta rede social que uma série de imagens de pessoas feridas nos protestos contra o governo de Nicolás Maduro, que em fevereiro de 2015 completaram um ano, foi divulgada, muito embora tenha se comprovado que a maioria delas fosse de outros países e situações. 

Em meio a tanto estardalhaço, fica difícil compreender a complexidade da realidade venezuelana. De 2014 para cá, a situação socio-econômica do país tem se deteriorado por conta da escassez de produtos básicos, da alta inflação e da sobrevalorização cambial. Em um contexto de extrema polarização política e agravamento da crise econômica, é difícil apontar mocinhos e vilões, já que as duas principais forças políticas são cúmplices e vítimas neste quadro. Por um lado, Maduro tem tido dificuldades em consolidar-se como liderança dentro e fora do chavismo, além de não conseguir dar respostas eficazes aos problemas imediatos: evasão de divisas, contrabando de gasolina, falta de produtos básicos de consumo, elevação dos preços, violência urbana, entre outros. Por outro, parte da oposição aposta na estratégia de desestabilização, através de boicotes econômicos, como a estocagem ilegal de produtos de primeira necessidade, e atos violentos visando a renúncia do presidente.

Do ponto de vista internacional, a queda do preço do barril de petróleo surge como mais um desafio a ser superado, uma vez que a renda estatal venezuelana está alicerçada nos ganhos obtidos com a exportação deste produto. Em abril de 2002, em um golpe de Estado orquestrado pelos canais privados de televisão, em conjunto com sindicatos patronais, alguns militares e o alto clero da Igreja Católica, com apoio dos Estados Unidos, Hugo Chávez foi retirado do poder.

A ruptura democrática foi saudada com entusiasmo pelos meios de comunicação que sistematicamente publicam notícias negativas sobre a Venezuela, assim como pela Casa Branca. O retorno do líder bolivariano ao palácio de Miraflores, no entanto, de seu em decorrência da grande mobilização popular que tal ato inconstitucional suscitou, fazendo com que os militares leais ao governo agissem para fazer cumprir a Carta Magna.

Diferentemente do contexto de treze anos atrás, Maduro não possui o mesmo apoio da população, sobretudo porque a base eleitoral do chavismo também tem sido castigada pelas dificuldades econômicas, embora o aparato estatal ainda esteja voltado para sua proteção social.

O resultado apertado das eleições presidenciais que disputou com Henrique Capriles e as movimentações de fevereiro de 2014 demonstram que a possibilidade de a oposição chegar ao poder – tanto pela via eleitoral como por um golpe – são cada vez mais palpáveis. Trabalhando com a segunda hipótese, investigações do Serviço de Inteligência Nacional (Sebin) indicaram que Antonio Ledezma estaria participando de um plano golpista, em que o assassinato de Leopoldo López serviria de estopim para o fim da revolução bolivariana.

Ledezma é um político de 60 anos, que esteve diretamente envolvido em uma das maiores ações de violência da história da Venezuela: o Caracazo. Em 1989, o anúncio do aumento do preço da gasolina, que teve impacto direto nas tarifas de transporte público, levou uma multidão às ruas para protestar contra o presidente Carlos Andrés Pérez. Ledezma, no mesmo mês dos protestos, foi nomeado governador do então Distrito Federal e, sob o seu comando, a polícia metropolitana assassinou milhares de pessoas. Durante sua gestão também ocorreram prisões sistemáticas de estudantes, desempregados, moradores de ruas e idosos que reivindicavam suas pensões. Portanto, não seria de todo estranho seu envolvimento em algum plano de ruptura da ordem democrática.

Ainda não foram divulgados maiores detalhes que possam confirmar a existência deste plano, porém com o histórico de desestabilização do chavismo, o atual presidente e sua cúpula carregam um trauma, cuja repetição querem evitar a todo custo. Aos olhos dos que desconhecem as ações da National Endowment for Democracy, agência estadunidense que financia grupos de oposição a governos considerados “pouco democráticos”, pode soar paranoica e autoritária a denúncia feita contra o prefeito de Caracas, que será interpelado judicialmente. Por isso, é preciso olhar no retrovisor da história para verificar que planos deste tipo ocorreram e ainda ocorrem na América Latina. Por sua vez, a radicalização adotada pelo governo de Maduro alimenta ainda mais o ímpeto golpista, fazendo com que haja uma escalada de tensões, o que na pior das hipóteses, aproxima o país de uma guerra civil.

Em suma, na Venezuela hoje estão em disputa dois projetos de sociedade antagônicos: o chavismo e o anti-chavismo. O primeiro conquistou avanços sociais inéditos e inaugurou um ciclo de democracia participativa no continente (fatores que explicam seus sucessivos êxitos eleitorais), mas que nos últimos três anos tem demonstrado não ser mais sustentável sem reformas mais profundas na estrutura produtiva, a fim de mitigar a dependência econômica do petróleo. O segundo está baseado na antítese do primeiro e ainda carece de um projeto que não soe às classes mais baixas como um retrocesso ou a perda de direitos e conquistas que ainda lhe são caros. Neste jogo de soma zero, a negociação tem sido preterida pelos dois lados em nome da defesa intransigente de um projeto. Quem viveu em tempos de Guerra Fria, em que não havia opções a não ser “amigo” ou “inimigo”, já sabe que o resultado não pode ser bom.

*Carolina Silva Pedroso é mestra e doutoranda em Relações Internacionais do Programa San Tiago Dantas (UNESP, UNICAMP e PUC-SP), especialista em Venezuela e pesquisadora do Instituto de Estudos Econômicos Internacionais da UNESP.

Este artigo foi publicado originalmente no Estadão Noite de 20 de fevereiro de 2015.

Assessoria de Comunicação e Imprensa

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Fonte:http://www.unesp.br/portal#!/noticia/16787/como-entender-o-que-acontece-na-venezuela-de-nicolas-maduro/

15.12.2014

Do BLOG DA CIDADANIA, 14.12.14

Por Eduardo Guimarães

manchetes capa

Fazer jornalismo influente, no Brasil, tornou obrigatória a eficiência na composição de manchetes que – pela “eloquência” – induzam o leitor a, não raro, formar opinião sem ter lido nada além do título da matéria, seja opinativa ou noticiosa. Isso é contingência de uma era em que a quantidade de informação disponível excede a disponibilidade de tempo do leitor.

A despeito da necessidade de consumir informação com mais rapidez, a tendência cultural do brasileiro, por triste que seja admitir, é injustificadamente tendente ao mínimo de leitura e ao máximo de conclusões apressadas sobre ideias prontas.

Nesse aspecto, o conteúdo das matérias – sobretudo as da grande mídia, que atingem camadas menos intelectualizadas da sociedade – acaba servindo apenas para justificar manchetes que costumam dizer o que aquele conteúdo a que remetem não diz.

Manchetes que acusam encimam textos que revelam açodamento, manchetes que absolvem emolduram justificativas facciosas. Mas o pior é que a hierarquização das manchetes, fenômeno que ocorre em veículos que divulgam vasto conteúdo, decorre de manipulações desonestas que buscam evidenciar o que interessa e esconder o que não interessa.

Essa prática ocorre hoje em grande profusão nas mídias controladas por impérios de comunicação que, em nosso país, resumem-se a, no máximo, uma dúzia de grupos empresariais, mas que, no cerne, originam-se de quatro grandes grupos de mídia.

Organizações Globo, Grupo Folha, Grupo Estado e Editora Abril são responsáveis por uma parte descomunal e desproporcional do conteúdo jornalístico e de entretenimento. São aberrações geradas pela concentração arcaica da propriedade de meios que vitima o país.

Diante desse universo microscópico de fontes originais de conteúdo, constata-se uma tragédia: todos acalentam as mesmas posições políticas, ideológicas, comportamentais, econômicas etc., reduzindo o debate de ideias a um monólogo estúpido.

Em razão de tal quadro, não é preciso gastar tempo buscando diferenças entre os Quatro Cavaleiros do Apocalipse da comunicação. Viu um, viu todos. Este Blog, por exemplo, elegeu o Grupo Folha como amostra generalista, ainda que seja necessário ficar de olho nos outros braços desse oligopólio. Porém, o foco em um de seus braços economiza tempo.

Nesse aspecto, a última edição dominical da Folha de São Paulo nos oferece um belo exemplo de como a escolha de manchetes de primeira página – equivalente da “escalada” dos telejornais, por exemplo – é uma “ciência” que não obedece à mais tênue noção de lógica e interesse público.

manchetes 1Na última sexta-feira, este Blog publicou matéria que afirmou que a lista de “vítimas de terroristas” divulgada pelo Clube Militar para se contrapor ao relatório final da Comissão da Verdade continha toda sorte de manipulações, inclusive a de citar vítimas falsas da guerrilha de esquerda do período ditatorial.  A edição em questão do jornal citado, avançou no tema.

Contudo, apesar de a Folha ter feito boas matérias sobre o assunto, escolheu para ir à primeira página a matéria menos importante. Para entender por que, lembremo-nos de uma frase que todo estudante de jornalismo acaba conhecendo. No século XIX, o jornalista norte americano John B. Bogart ensinou que “Se um cachorro morde um homem não é notícia, mas se um homem morde um cachorro, é”.

Passemos, então, às matérias da Folha sobre a tal “lista de vítimas” emitida na semana passada pelo Clube Militar. Apesar de o jornal ter publicado várias, escolheu uma para a primeira página e pôs as seis matérias (inclusive a de capa) nas longínquas páginas A10 e A11.

manchetes 2

Como se vê na matéria que foi para a primeira página, tanto a manchete como a legenda sob ela opõem as “vítimas da esquerda” aos trabalhos da Comissão da Verdade. Essa ideia pronta, porém, não oferece ao leitor a mínima noção de que a tal lista de “vítimas da esquerda” contém várias farsas, apesar de a matéria em evidência dizer isso.

A matéria em evidência na primeira página não explica que pessoas que figuram na lista de mortos do Clube Militar foram encontradas vivas, ou que muitas foram mortas pela própria repressão do regime militar.  As matérias lá das páginas A10 e A11 dizem tudo isso. Inclusive a matéria a que a manchete de capa remete.

Mas uma dessas matérias mostra um fato extremamente importante para que as pessoas entendam por que não faria sentido incluir as ações da guerrilha de esquerda nos trabalhos da Comissão da Verdade.

manchetes 3Como se vê, pessoas que praticaram atos de violência no âmbito da resistência ao governo ilegal decorrente de um golpe de Estado foram presas e torturadas. Cumpriram pena, inclusive. Inclusive as que não cometeram atos de violência, como a própria presidente Dilma Rousseff, que jamais foi acusada desse tipo de ação, apesar de ter sido barbaramente torturada, tendo hoje problemas nos dentes da frente por conta dos socos que levou na boca, violência que sofreu estando indefesa e amarrada diante dos verdugos da ditadura.

A esquerda foi brutalmente penalizada por reagir ao estupro da democracia que a ditadura praticou. Só quem nunca pagou por seus crimes foram os autores de atos diabólicos de tortura que impressionam pela “criatividade” em infligir sofrimento àqueles que queriam que dessem informações.

Só para não estender muito um assunto doloroso e chocante, o relatório da Comissão da Verdade cita torturas como colocar pregos em pênis ou baratas em vaginas durante os “interrogatórios” da ditadura. Acadêmicos, religiosos, estudantes, pessoas que jamais pegaram em armas passaram por isso.

A esquerda não praticou nada igual.

Desse modo, a iniciativa do Clube Militar de publicar uma lista com mais de uma centena de nomes de pessoas supostamente assassinadas pela esquerda e da qual se sabe que incluiu pessoas que estão vivas, é uma afronta ao país e revela o total descompromisso dessa organização com a verdade.

A principal pergunta que se faz, é a seguinte: seria possível encontrar uma só falsidade como essas no relatório da Comissão da Verdade? Não seria porque tudo que revelou a CNA se fez acompanhar de provas, depoimentos, investigação exaustiva.

O trabalho da Comissão da Verdade destinou-se a purgar um tipo de ação do Estado que é incompatível com a democracia e com o Estado de Direito, ou seja, o Estado agir criminosamente, ilegalmente, desumanamente. Os excessos – sob certo ponto de vista – que a resistência à ditadura possa ter cometido foram punidos pela mesma ditadura.

Por fim, voltamos à escolha de manchetes, essa “ciência” sem lógica. Todos sabem que a direita aponta “vítimas da esquerda”. Essa “notícia” que foi à primeira página da Folha é o “cachorro mordendo o homem”. Já a lista do Clube Militar de “mortos pela esquerda” conter pessoas que estão vivas, é o homem mordendo o cachorro.  Qual deveria ir à primeira página?

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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2014/12/jornal-manipula-manchetes-mas-desmascara-clube-militar/